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Crónicas de uma Vida Pouco Privada

Espaço dedicado à vida pouco privada de uma família de quatro, mãe, pai, mini e micro, gerido pela mãe que tenta não se esquecer de ser mulher e companheira quase todos os dias...

Espaço dedicado à vida pouco privada de uma família de quatro, mãe, pai, mini e micro, gerido pela mãe que tenta não se esquecer de ser mulher e companheira quase todos os dias...

Disto de ser mãe #1

Sabemos à partida, quando entramos nesta aventura de ser mãe, que não há manual de instruções, por mais livros que se escreva sobre o assunto (eu já li vários), cada criança é um ser individual que se comporta segundo um parâmetro previamente estudado e esmiuçado ao pormenor mas apresenta bastantes desvios a esse parâmetro fazendo com que tudo o lemos e todas as teorias sobre educação e parentalidade sejam muito bonitas mas nem sempre funcionem.

Eu tenho a prova disso em casa, tenho dois filhos que são completamente diferentes um do outro e são educados pelos mesmos pais. Tenho plena noção que o mais novo nos engana a todos com uma pinta desgraçada e vai levar a dele avante muito mais vezes que o irmão.

Além da educação e das regras, também não há manual de instruções para as decisões difíceis.

O Mini foi à tal visita de estudo, como já falei aqui. Ontem o pai foi levá-lo à rodoviária às 06:15 da manhã e eu fui buscá-lo às 21h. Correu tudo optimamente, esteve sempre bem disposto e a educadora e auxiliar que ficou encarregue por ele, disse que teve um comportamento exemplar. 

A primeira coisa que me disse assim que saiu do autocarro foi: "Mãe, eu portei-me bem!" 

Foi muito reconfortante ver o sorriso dele estampado no rosto, a alegria e entusiasmo com que me contou tudo o que viu e ouvir a pessoa que foi responsável por ele dizer que o posso mandar sozinho sempre que quiser porque ele não dá trabalho.

Mas e o resto... não há manual de instruções para ajudar a tomar a decisão que nós (o pai e eu) tomámos, não há manual de instruções para nos libertar da sensação de abandono que sentimos ao ver que o nosso filho é o único que vai sem acompanhante e principalmente não há manual de instruções que nos ensine a não sentir o coração apertado durante todo o dia e a não sentir que não fizemos tudo certo, já que fomos os únicos que mandámos um puto de três anos para uma visita de estuda a 230km de distância de casa sozinho...

Em resumo, o Mini sem duvida que aproveitou muito mais assim do que se os pais ou mesmo um dos pais o acompanhasse. Não houve birras, não houve Mini agarrado às pernas da mãe ou Mini a não querer entrar ou sair de um local, houve apenas um Mini cheio de sorrisos, gargalhadas, brincadeiras com amigos, lutas de almofadas e afins.

O Mini é tímido, quando os pais estão presentes ainda mais tímido se torna (não me perguntem porquê) se nós fossemos ele ia divertir-se na mesma, iam vibrar com o Tarzan (Peça do La Féria em exibição no Teatro Politiama), ia adorar os tubarões e ficar maravilhado com o peixe lua do Oceanário, não tenho duvidas disso, mas ia sempre haver momentos de stress completamente desnecessários que desta forma foram evitados.

Acho que foi uma boa decisão, mas sem duvida que foi dos dias mais estranhos e apreensivos que passei desde que ele nasceu.

 

E depois desta aventura toda, chegou a casa e adormeceu em cima da mesa, durante o jantar, enquanto fui deitar o irmão.

Despachei-o para a cama, com ele meio a dormir e quando o fui deitar, o Micro estava sentado no berço, agarrado ao mickey de peluche, caladinho à espera que o sono chegasse, o que fez com que o meu coração derretesse e lhe pegasse e o embalasse até ele adormecer, 30 segundos depois...

É como digo, não há manual de instruções nisto de ser mãe...

 

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