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Crónicas de uma Vida Pouco Privada

Espaço dedicado à vida pouco privada de uma família de quatro, mãe, pai, mini e micro, gerido pela mãe que tenta não se esquecer de ser mulher e companheira quase todos os dias...

Espaço dedicado à vida pouco privada de uma família de quatro, mãe, pai, mini e micro, gerido pela mãe que tenta não se esquecer de ser mulher e companheira quase todos os dias...

Disto de Ser Mãe #10

No Domingo passado celebrou-se o Dia da Mãe.

Confesso que não liguei muito ao dia em si, não postei fotos bonitas no Instagram rodeada dos meus miúdos, nem escrevi que ser mãe é a melhor coisa do mundo no Facebook. 

Confesso que ás vezes estes dias me soam a falso e a hipocrisia.

Confesso que adoro ser mãe e que os meus miúdos são uns amores, que me ofereceram umas coisinhas feitas por eles, muito giras.

Mas decidi escrever sobre o Dia da Mãe essencialmente porque me apanhei a pensar no significado disto tudo, e como tanta coisa se foi desvirtuando com o tempo, mas há coisas que nunca mudam.

Eu sou uma sortuda porque tenho o privilégio de ter a minha mãe a tempo inteiro. (e eu sei que há muita gente que não pensa assim) 

A minha mãe é um do meus pilares e a minha vida sem a presença dela a tempo inteiro seria muito mais complicada.

Mas mais importante que tudo isso, é o facto de a minha mãe me ter ensinado a ser mãe, e não eu não sou a mesma mãe para os meus filhos que ela foi para mim, mas ela mostrou-me o caminho, mostrou-me o que era certo e o que era errado e fundamentalmente mostrou-me que mãe eu queria ser.

Apesar de no Domingo, ser mãe ser a melhor coisa do mundo, segundo uma boa parte dos utilizadores do sexo feminino do Facebook, ser mãe é uma das missões mais complexas que tive de enfrentar e que irei enfrentar até ao final da minha vida.

Sei que sou muito mais eu desde que sou mãe, e que os meus filhos são boa parte da minha razão para viver, mas também sei que são boa parte das minhas frustrações, inseguranças e medos.

Ser mãe trouxe-me perspectiva e mudou significativamente as minhas prioridades e mostrou-me que devemos valorizar as pequenas coisas. E essa foi uma das grandes lições que a minha mãe me tentou passar. Os nossos almoços de família (que muita gente acha uma seca), o poupar para irmos de férias todos juntos, os pequenos gestos de carinho e reconhecimento e principalmente a compreensão nos momentos de fragilidade (ás vezes apenas com um silêncio de reconhecimento) são tudo mensagens da minha mãe.

Há, mesmo assim, muita coisa que ela não me ensinou e há muita coisa que não faço como ela fez (e não há mal nenhum nisso).

Quando o Mini nasceu queria muito ser como a mãe do Ruca, sempre li muito sobre educação e tinha (e tenho) pavor de criar filhos mal educados, insensíveis e socialmente inconscientes, no entanto apesar de continuar sempre há procura de estratégias e ferramentas nesta área e de continuar a ler muito sobre educação, hoje quase seis anos depois, sei que não quero nada ser como a mãe do Ruca, quero mesmo é ser uma mãe real.  

Ao longo da história, a mãe foi apenas a cuidadora durante muito tempo, depois começou a trabalhar e passou a ser a super mulher, depois tornou-se tudo um fardo e a mãe passou a ser a vitima e agora, devagarinho já se começa a perceber que a mãe é simplesmente uma Mulher, real, com fragilidades e virtudes e com medos e certezas, eu não quero ser uma mãe exemplar.

Quero ser a mãe que grita, mas que todos os dias tenta não gritar e vai melhorando devagarinho; 

Quero ser a mãe que chora em segredo quando não se consegue controlar perante uma asneira;

Quero ser a mãe que se enche de orgulho com as pequenas vitórias dos filhos;

Quero ser a mãe que precisa de pelo menos um banho sozinha por semana, sem intrusos na casa de banho;

Quero ser a mãe que às vezes não resiste e dá o ovo de chocolate antes do jantar, mesmo sabendo que isso vai fazer com que o miúdo não jante nada de jeito;

Quero ser a mãe que vai jantar fora com o pai porque, o pai e a mãe precisam de tempo a dois;

Quero ser a mãe que poupa dinheiro todo ano para levar a família toda a passear;    

Quero ser a mãe que deixa queimar o jantar porque se distraio a ver qualquer coisa da televisão;

Quero ser a mãe que ri e que chora com eles, que abraça e faz cocegas e enche de beijos, mesmo quando eles fogem;

Quero ser a mãe que se preocupa com o que veste e trata de si;

Quero ser a mãe que vai com os miúdos ao cinema e ao parque;

Quero ser a mãe que vai com os amigos ao cinema, porque às vezes também é bom ver filmes que não são de animação;

Quero ser a mãe que partilha com o pai a difícil tarefa de educar crianças neste mundo de valores desajustados e vidas de fachada; 

Quero acima de tudo ser Mulher, quero ser real, com tudo o que isso trás associado,tão simples como isto, porque para ser mãe temos mais que tudo ser mulheres reais, cheias de falhas, defeitos e imperfeições, certezas, virtudes e qualidades.

 

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