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Crónicas de uma Vida Pouco Privada

Espaço dedicado à vida pouco privada de uma família de quatro, mãe, pai, mini e micro, gerido pela mãe que tenta não se esquecer de ser mulher e companheira quase todos os dias...

Espaço dedicado à vida pouco privada de uma família de quatro, mãe, pai, mini e micro, gerido pela mãe que tenta não se esquecer de ser mulher e companheira quase todos os dias...

Dos Produtos Caseiros

Nota: Este post não foi escrito com o patrocínio de qualquer marca (lol)

 

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Desde miúda que gosto de cozinhar, não vos consigo dizer que algum membro da família me tenha influenciado ou até mesmo me tenha ensinado a cozinhar, não me lembro de ninguém a explicar-me como se fazia este ou aquele prato, acho que como quase tudo o que eu apreendi na infância, o gosto pela cozinha, veio da observação e da minha necessidade de ajudar.

Desde miúda que fui incentivada a colaborar nas tarefas domésticas, como todos os elementos do nosso (na altura) vasto agregado familiar, tendo alguns se tornado mais colaboradores que outros lol

Isto tudo para dizer que sempre cozinhei, sempre me desenrasquei bem na cozinha, mas nunca fui de fazer grandes pratos elaborados. 

Lembro-me da minha avó fazer marmelada, filhós, folares e pão, mas sempre achei esse tipo de receitas longas e demoradas e quando me tornei autónoma normalmente comprava esses produtos.

Desde que tenho Bimby, esse cenário mudou muito, e passei a fazer muitas das coisas que antes comprava.

Desde que tive filhos as minhas preocupações com a alimentação aumentaram significativamente, e cada vez mais me preocupa o que comemos, o que eles comem.

Ultimamente, tenho pensado muito nisso, e talvez por a escola do Mini ter introduzido a alternativa vegetariana, até introduzi em casa um dia de comida vegetariana, quase todas as semanas.

Eu sei que o mundo ruma exactamente no sentido oposto e sei que cada vez, encomendamos mais comida fora, compramos muita coisa pré-feita ou já preparada, os lanches são embalados, etc, etc, etc.

No entanto eu (mais uma vez) tenho andado a rumar no sentido contrário, obviamente não sou de todo fundamentalista, aliás é uma das coisas que me perturba bastante, a questão do fundamentalismo, mas de há algum tempo para cá tenho adaptado muito os nossos consumos, e há coisas que simples deixei de comprar.

Faço os meus iogurtes gregos (e adoro), faço a minha pizza (desde a massa ou molho de tomate), faço as bolachas do lanche da semana, faço pequenos snacks também para os lanches da semana, faço os suminhos do Micro, além de cozinhar todos os dias como é óbvio.

No domingo passado enquanto preparava mais uma vez as pizzas de domingo, o meu avô dizia-me que eu passava tanto tempo na cozinha e que tinha tanto trabalho, porque é que não comprava. Eu respondi-lhe quase sem pensar "Podia comprar sim, mas não era a mesma coisa." Na verdade faço tudo isto porque gosto de cozinhar, gosto dos resultados e gosto especialmente de comer algo bom que eu preparei.

Sempre me habituei a ter produtos da horta, os meus avós e os meus sogros têm horta e há muita coisa que não compro, consumo mais os produtos da época e não compro muito fruta estrangeira, fundamentalmente porque os miúdos não são muito apreciadores. Como é óbvio, há ocasiões e ocasiões e sempre que achar que vale a pena, encomendo uma pizza e compro iogurtes entre outras coisas, mas cada vez mais gosto deste conceito dos produtos caseiros, gosto muito de encontrar novas receitas e ainda ando há procura de encontrar algumas receitas de pão que resultem mesmo, ainda não achei aquele pão tipo tchan!

Mas em resumo, acredito cada vez mais que é importante nos preocupar-nos com o que comemos, cozinharmos as nossas refeições e ter atenção às quantidades de açúcar consumidos, é fundamental para um estilo de vida mais saudável. E essa é a mensagem que quero que os meus miúdos recebam, porque a mudança de mentalidades é a nossa a ferramenta para o futuro e eles são o nosso futuro ;)  

Coisas #36

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1 Coisa: Adoro o meu País, acho que sou uma sortuda por viver em Portugal, acho que não valorizamos o suficiente o país que temos e acho que nem sabemos bem a sorte que temos, por poder viver neste cantinho à beira-mar plantado (e sim eu sei que nem tudo é bom, mas sempre que leio notícias (mais ou menos fidedignas) percebo que estamos muito melhor do que aquilo que pensamos), mas expliquem-me por favor porque é que toda a gente ignora as marcações no chão dos parques de carrinhos de supermercado. É que não há um dia que vá um estabelecimento comercial, onde se utilize carrinho de compras que não estejam sempre quatro ou cinco no meio da passagem, e muitas vezes ao lado o espaço está vazio, mas as pessoas têm, porque têm que colocar o carrinho onde lhe der menos trabalho, ou seja no local mais perto, PORQUÊ? É assim tão difícil respeitar um bocadinho o próximo?

 

2 Coisas: Depois de ler este artigo de opinião ou crónica ou o que lhe queiram chamar, gostaria de referir que não emigrei durante a troika e não foi por medo como o cronista refere. Não emigrei porque achei que valia a pena ficar e porque não é só o dinheiro que me move... 

 

3 Coisas: E não este não é um post de valorização ao país lol

 

4 Coisas: Quero um contador de passos e descobri que há uns super geeks e super giros, e acho que não vou resistir a comprar um.

 

5 Coisas: Tenho saudades de ir ao cinema.

 

6 Coisas: Eu nem gosto de chuva, mas este fim de semana podia chover, tenho tanta coisa para arrumar em casa, que precisa de uns dias mais calmos.

 

Do Movimento #Metoo

Honestamente, muito honestamente mesmo (não fiquem chateadas comigo por dizer isto) como mulher cada vez menos me identifico com o movimento #metoo.

Entendo, defendo e respeito, mas acho que está a ser utilizado de forma totalmente errada, reconheço que continuamos a viver num mundo de homens, concordo totalmente com as denuncias feitas, e sem dúvida que é o momento de dizer basta. Mas como tão sabiamente uma das minhas melhores amigas dizia ontem, o movimento #metoo surge no intuito de acabar com o velho que se encosta a nós no autocarro, com o gajo que nos apalpa gratuitamente na discoteca ou com o ordinário que se roça em nós numa fila qualquer. Este tipo de situações sempre aconteceu e está enraizado numa geração que perpetuou este tipo de comportamento por muito tempo e eu sou totalmente a favor de sensibilização neste sentido, basta deste tipo de falta de respeito. Entendo que daí tenham surgido denúncias mais graves e com cariz mais agressivo e respeito quem passou por algo semelhante e o denunciou. O meu problema é, mais uma vez, a forma como as coisas são levadas ao extremo. 

Hoje o movimento #metoo deixou de ser um movimento cívico, de cariz educacional, no sentido de mudar a mentalidade actual no que diz respeito à forma como olhamos, tratamos e lidamos com o ser humano (neste caso, mais vocacionado para as mulheres), para se tornar numa arma de arremesso contra os homens no geral. 

Tenho a certeza absoluta, que muitos homens passaram por situações de assédio e não há qualquer tipo de referência a esse facto, é quase como se fosse proibido eles falarem, visto fazerem parte do género agressor.

Na verdade acho que se desvirtuou o objecto principal do movimento (como é costume infelizmente) o que leva a que os excessos prevaleçam sobre o bom senso, levando-me mais uma vez a remar contra a corrente e a distanciar-me um pouco.

Se acho que vivemos (ainda) num mundo de homens? Sim acho, como mais uma vez a minha amiga dizia sabiamente, para sermos um(a) gestor(a) de topo temos de abdicar da nossa vida familiar e as mulheres têm sempre mais responsabilidades nessa área que os homens, levando a que haja menos gestoras de topo que gestores de topo. Na realidade nunca ambicionei um cargo de topo, mas entendo que para atingir tal patamar a minha vida familiar seria sacrificada, também acredito cada vez que isso tem a ver com a forma como gerimos o trabalho e que no futuro, isso será um pouco diferente, hoje em dia, há muita coisa que se pode fazer através de um computador, de onde quer que seja, as empresas (e as pessoas também) é que não gostam de admitir que é possível gerir à distância. Se há falta de oportunidades para mulheres em certas áreas? Sim sem dúvida, há pouquíssimas mulheres realizadoras por exemplo, e todos sabemos que é por falta de oportunidade nesta área.

No entanto, quando olho à minha volta, julgo que a Europa está (felizmente) um bocadinho mais evoluída no que diz respeito à desigualdade de género e julgo ser por isso que o movimento teve tanto impacto nos EUA. Mas falando por mim (e eu sei que não sou exemplo para ninguém), que trabalho num universo totalmente masculino, numa equipa de 11, onde eu sou a única mulher, apenas um colega manifesta desconforto por me ver a desempenhar trabalhos mais "masculinos". Neste universo de 11 pessoas temos escolaridades e idades totalmente heterogéneas, levando-me a pensar que isto do tão falado machismo e feminismo está um pouco ultrapassado. Li algures num blog a propósito do #metoo que a autora em questão não queria que a filha crescesse num mundo onde são feitos comentários como "O teu pai vai ter de comprar uma caçadeira por causa desses teus olhos" ou "vais dar muitas dores de cabeça ao teu pai com essa carinha linda" ou algo do género. Sim este tipo de comentários é completamente desnecessário, mas também é cada vez menos frequente, o meu avô que em tempos não permitiu que a minha mãe não fosse trabalhar para uma determinada empresa porque ia trabalhar só com homens, hoje já não faz comentários de teor dos referidos acima e não vê problema nenhum em a neta trabalhar só com homens. 

É muito importante perceber que a sociedade somos nós e somos nós que criamos as diferenças que se falam neste momento, será que é alimentando um ambiente extremista que parece estar a criar um fosso entre dois mundos tão diferentes (mas que desde o inicio da vida se completam) que vamos mudar a sociedade?

Para já não tenho a resposta, mas inclino-me mais para não...

Felizmente tenho à minha volta muitos homens, que não ajudam nas tarefas domésticas, mas partilham-nas com a mulher da casa, e isso para mim é motivo de orgulho desta geração, conheço bastantes homens que depois dos 50 passaram a levantar a mesa e a estender roupa entre outras coisas, porque perceberam que aquela partilha era necessária, mais uma vez acho que é motivo de orgulho desta geração. 

Se isto se reflecte no resto do país, da Europa ou do Mundo não sei, mas também acho que não vivo numa bolha.

Sou consciente de que há países em que às mulheres nem é permitido conduzir, eu não sou naif, e leio o suficiente para saber das atrocidades que as mulheres sofrem pelo mundo (inclusive no nosso país), assim como sei que mostrar o decote ou as pernas (ou mais) é (ou era) pré-requisito para conseguir um papel em Hollywood e como é óbvio sou totalmente contra qualquer tipo de assédio sexual (dentro e fora do ambiente laboral) não consentido, mas o clima de desconforto com se começou a gerar desde que o movimento tomou proporções mundiais não transmite de todo o sucesso do objectivo inicial desta acção.

Para mim a luta, é e sempre será por um mundo melhor, e ai entra muita coisa, como a educação dos nossos filhos, a protecção do meio ambiente e a igualdade de género, como é óbvio, mas lembrem-se que a igualdade de género abrange as mulheres e os homens em todas as circunstâncias e não só naquelas que agradam mais a uns ou a outros. Não deixem que a comunicação social e as redes sociais desvirtuem as vossas (nossas) lutas e as vossas (nossas) certezas. Como uma das actrizes que não se vestiu de preto nos Golden Globes disse. 

"Nós não devemos ter que vestir preto para sermos levadas a sério."

 

Coisas #35

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1 Coisa: Não quero agoirar mas o Micro já não acorda a meio da noite há mais de uma semana.

 

2 Coisas: Há um novo movimento que desconhecia completamente, associado ao Placard (Jogos Santacasa). As velhotas aqui da zona, passaram a saber que equipas jogam a cada semana, quando e a que horas. Fiquei chocada lol

 

3 Coisas: Não fiz resoluções de ano novo significativas mas, confesso que fiz alguma retrospecção e resolvi reorganizar um pouco a minha vida, andava mesmo muito desleixada.

 

4 Coisas: A única resolução assim mais concreta que determinei foi ir mais ao cinema.

 

5 Coisas: Ainda associada a retrospecção que fiz no inicio do ano, constatei que preciso urgentemente de despachar um percentagem da roupa que tenho a encher o roupeiro.

 

6 Coisas: A minha necessidade de doces nesta altura do ano é assustadora.

Da minha Ausência e do meu Regresso

Antes de mais 2018 you´re welcome 😏

 

 

Da minha Ausência

Nos últimos tempos desapareci, não vos consigo dizer em concreto razões, mas sei que durante um tempo a minha vontade de actualizar o blog não era muita. 

O mundo da internet é muito tóxico e nos últimos tempos, constatei que andava desiludida com o mundo, no geral, e com a forma como as pessoas se maltratam umas às outras, em particular.

Assistir ao linchamento público e à falta de educação sempre me repudiou. O Facebook neste momento quase que me assusta, tenho receio de publicar algo que seja mal interpretado e acima de tudo não tenho vontade de me expor a esse mundo.

Por tudo isto e por provavelmente a minha vida familiar estar tão instável, em termos de saúde, a inspiração e a vontade de partilhar momentos digitalmente esteve mais ausente.

No final do ano fiz uma retrospectiva sobre isso tudo, pensei muito (eu penso de mais) e achei que não fazia sentido estar assim ausente. Eu criei o blog porque gosto de escrever e gosto deste mundo virtual, apesar de muita gente tentar destruir as coisas boas que se encontram por aqui.

 

Do meu Regresso

Com o inicio de 2018, tenciono retomar a minha assiduidade aqui no blog, onde tenciono retomar as minhas rubricas e escrever tudo aquilo que me apetecer como sempre fiz. Se continuo a ser mais voyeur que utilizadora do Facebook? Sim, prefiro não me expor. Utilizo mais o Instagram (menos tóxico) e prefiro acompanhar notícias no Twitter que no Facebook (a proliferação de fake new no Facebook é assustadora). Mas regressei 😉

E para começar em grande, decidi aderir a um desafio da Gorduchita.

 

Desafio das 52 Semanas (e não, não é poupança):

Durante 52 semanas, irei responder às seguintes questões (cada semana uma resposta):

 

Semana 1: Coisas que me fazem ficar feliz.

Semana 2: Eu nunca...

Semana 3: Coisas para se fazer no calor.

Semana 4: As minhas citações preferidas são: (trechos de livros, de músicas, frases de autores, etc).

Semana 5: Fazem parte da minha wishlist.

Semana 6: Os super poderes que eu gostaria de ter se fosse um super herói seriam…

Semana 7: Eu sempre…

Semana 8: Os melhores filmes infantis que já assisti foram...

Semana 9: Pessoas que eu gostaria de conhecer/ter conhecido.

Semana 10: As minhas comidas favoritas são...

Semana 11: Os meus brinquedos favoritos na infância eram...

Semana 12: Coisas para se fazer no frio.

Semana 13: Fico envergonhada quando…

Semana 14: Os meus sites favoritos na internet.

Semana 15: O que há de pior no mundo virtual?

Semana 16: Isso, para mim, não é diversão.

Semana 17: Personagens cuja vida eu gostaria de viver por um dia: (filmes, livros, séries, etc).

Semana 18: Sinto saudades…

Semana 19: As minhas séries preferidas.

Semana 20: Fico de mau humor quando…

Semana 21: Os meus piores defeitos.

Semana 22: No meu frigorífico tem de haver...

Semana 23: Coisas que me incomodam no mundo contemporâneo.

Semana 24: Casais preferidos (filmes, séries, livros, etc).

Semana 25: Tenho pavor de…

Semana 26: Se eu pudesse mudar de profissão, eu seria…

Semana 27: Coisas divertidas para se fazer nas férias.

Semana 28: As minhas maiores “neuras” e manias são...

Semana 29: Filmes que me falam ao coração.

Semana 30: Fico impaciente com pessoas que…

Semana 31: Quando não tenho nada para fazer, gosto de…

Semana 32: Ainda quero aprender...

Semana 33: Tenho medo de…

Semana 34: Livros que eu acho que toda a gente deveria ler.

Semana 35: As minhas piores compras foram...

Semana 36: Morro de preguiça de…

Semana 37: O que, de melhor, o mundo virtual te trouxe/traz?

Semana 38: Desculpa, mas eu acho reles...

Semana 39: As minhas melhores qualidades.

Semana 40: Os meus "cheiros" preferidos são...

Semana 41: As coisas mais difíceis num relacionamento amoroso são...

Semana 42: Queres acertar no meu presente? Então dá-me…

Semana 43: Músicas que eu não me canso de ouvir.

Semana 44: Os meus vilões preferidos são...

Semana 45: Lembra-me a minha adolescência.

Semana 46: Parece que todos sabem _______________, menos eu.

Semana 47: Quando eu estou apaixonada…

Semana 48: Nunca tive coragem de…

Semana 49: Lugares no mundo que eu gostaria de conhecer.

Semana 50: Pessoas que eu admiro.

Semana 51: Coisas que me marcaram neste ano.

Semana 52: No ano que vem eu quero. 

 

São todos bem vindos ao desafio e à leitura da minha lista.

Coisas #34

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1 Coisa: Eu sei que este blog tem andado muito calado, mas a minha inspiração para escrever tem andado desaparecida, espero que volte em breve.

 

2 Coisas: Eu adoro o Verão e o calor e confesso que vai ser dificil volta a vestir camisolas e botas, mas isto já é um bocadinho abuso não???

 

3 Coisas: Duas semanas e vou de férias, como deve ser, finalmente.

 

4 Coisas: Indroduzi um dia de receitas vegetarianas na nossa rotina alimentar familiar e estou a adorar.

 

5 Coisas: Era suposto ter feito o livro de fotos das férias com os miúdos até ao final de Setembro...(não vou comentar).

 

 

 

Da Reeducação

Eu sei que parece que estou sempre a bater na mesma tecla, mas cada vez mais acho que se torna urgente olhar com alguma atenção para a falta de bom senso que assola este país e talvez o mundo.

A bomba que caiu no Facebook sobre os livros de actividades para meninos e meninas veio mais uma vez mostrar como é necessário agir nesta área.

Não, eu não concordo que o governo tenha recomendado a retirada do livro do mercado, acho descabido e roça muito a uma atitude de tempos que não deixaram saudades e honestamente acho que a censura não é a solução, apesar de às vezes me questionar acerca deste assunto. No entanto, para mim a questão mais importante aqui é, como é que alguém validou aquela publicação e não questionou a situação antes dos livros chegarem às livrarias, a sério que todas a pessoas que trabalharam nos livros acharam normal aquele tipo de diferenciação???

Não, eu não sou de todo feminista, na maioria das vezes não me identifico com a forma como as e os feministas tentam defender a causa e acho que na maioria das vezes o argumento está completamente desajustado. No entanto há mensagens feministas de muito valor como a da Pink nos VMAs Awards. E sim com este tipo de mensagem eu identifico-me, fazer-nos valer pelo que somos e mostrar aos outros que esse é o caminho. No entanto publicar livros para meninos e meninas com exercícios que apresentam graus de dificuldade diferentes para a mesma faixa etária é algo no mínimo pouco ético, apesar de eu defender que cada criança cresce ao seu ritmo, este facto não diferencia género, o que me faz questionar o que se passa com a nossa sociedade.

Quando a bomba rebentou no Facebook, eu senti-me agradecida por cada vez publicar menos por lá. Comecei a "fugir" um pouco daquele mundo, porque deixou de ser agradável a leitura do feed notícias, ou só leio desgraçadas (que não faço a mínima idea se são ou não verdadeiras) ou leio comentários raivosos de gente que usa o ecrã como escudo e debita todas as barbaridades que lhe vêm à cabeça.

Sim, eu sei que todas as redes sociais transbordam deste tipo de situações, mas há umas mais soft que outras.

Mas o que eu quero dizer com isto tudo é que, para não recorrermos à censura (como o governo acabou por fazer de uma forma ligeira) temos de reeducar as pessoas, temos de voltar a ensinar o respeito pelo próximo, os valores, a linha que determina onde acaba a nossa liberdade de expressão e começa o direito de resposta do próximo, a linha que determina onde acaba o nosso direito de resposta e começa o direito à privacidade do próximo, o bom senso e a boa educação.

Sem este valores bem clarificados, as redes sociais vão continuar a ser campos de batalha e vão sem dúvida continuar a fazer baixas, sejam elas livros, pessoas, ou infelizmente valores que nos costuram tanto a conquistar.  

Da Vida na Cidade

Eu gosto de viver na cidade, detesto apartamentos e sempre me imaginei a viver numa casa, mas sempre fugi do campo, do interior e do isolamento. Acho magníficas aquelas vivendas no alto do serro mas só porque têm uma vista brutal, porque depois, se precisarem de um pacote de arroz têm de fazer 5 km de carro até ao local civilizado mais próximo. 

Por isso por mais que sonhasse com uma vista de tirar o fôlego pela manhã, ou por mais que gostasse da calma e da paz de uma casa na aldeia, sempre quis viver na cidade, perto do supermercado, do café e da padaria. 

No entanto também nunca ambicionei viver numa cidade grande, sempre me assustou um pouco, o mundo de gente que se desloca em manada por Lisboa fora ou as filas de trânsito intermináveis ou até mesmo a solidão mascarada da vida das cidades grandes, em que ninguém cumprimenta ninguém. É claro que adorava ter acesso mais facilitado a tudo a que uma grande cidade oferece, especialmente em termos culturais, mas viver dessa forma, corrida e solitária é um preço muito alto a pagar pelo acesso à cultura.

Isto tudo para dizer que gosto muito de viver na minha pequena cidade, onde cumprimentamos quase todos com quem nos cruzamos a caminho do trabalho, onde os vizinhos ainda se sentam à porta de casa nas noites quentes de verão, onde podemos ir levar o lixo à meia-noite sem medo ser assaltados, onde ainda há portas fechadas só no trinco, onde o supermercado é logo ali e a padaria fica no final da rua, onde há Bancos, Segurança Social, Finanças e Tribunal, ou seja, onde posso tratar de tudo sem precisar de sair da minha área de conforto. Gosto muito de morar onde moro, como todas as cidades tem zonas feias e sujas, mas também tem melhorado muitas outras, e cada vez é mais agradável viver por aqui.

Mas acima de tudo, o que gosto mais de viver numa cidade pequena é sensação de fazer-mos parte de algo, há festas e eventos só nossos, que nos enchem de orgulho e nos fazem sentir incluídos. Viver a nossa terra é isso mesmo, fazer parte, participar, conhecer, e isso é o que acho que entretanto se perdeu um pouco e que as pequenas cidades tentam trazer de volta.