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Crónicas de uma Vida Pouco Privada

Espaço dedicado à vida pouco privada de uma família de quatro, mãe, pai, mini e micro, gerido pela mãe que tenta não se esquecer de ser mulher e companheira quase todos os dias...

Espaço dedicado à vida pouco privada de uma família de quatro, mãe, pai, mini e micro, gerido pela mãe que tenta não se esquecer de ser mulher e companheira quase todos os dias...

Coisas #40

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1 Coisa: Sabes que estás a ficar meia tontinha quando vais jogar o lixo e paras pelo caminho a apanhar duas ou três embalagens que encontras pelo chão... (também faço isso na praia, acho que as pessoas já começaram a reparar...)

 

2 Coisas: Nesta altura do ano vemos sempre fenómenos extraordinários, especialmente da parte dos portugueses que vivem no estrangeiro, e não, não vou falar do quase francês que eles tentam falar. Desde jogarem-se às rotundas como se alguém lhe tivesse dado um cartão de prioridade em qualquer circunstância, passarem à frente nas filas porque têm pressa, a vir jogar embalagens no lixo (a reciclagem lá fora deve ser diferente daqui) em calção e soutien, já vi de tudo desde que o nosso querido mês de Agosto começou.

 

3 Coisas: Sempre disse para mim mesma que não queria viver ao pé de uma escola. Sempre que saía da escola e ouvia aquela gritaria toda pensava que devia ser horrível viver ali perto e estar a ouvir constantemente gritos de miúdos sem interrupção. Quando construíram o complexo escolar perto de minha casa, fiquei muito agradecida, mas sempre que passo lá à porta ainda penso o mesmo... "Fogo, ainda bem que não vivo mesmo aqui, acho que dava em maluca."

Eu adoro crianças, os meus filhos também são muito barulhentos, mas aquela gritaria de muitos miúdos juntos põe-me os nervos em franja, chamem-me fina se quiserem.

Ora isto tudo para dizer que vivo numa zona residencial, numa rua com quatro moradias, onde passam poucos carros, com horta atrás e à frente de casa, os únicos barulhos que costumamos ter são os cães (há dezenas de cães na zona, incluindo os meus), as galinhas da vizinha e as rãs da ribeira que passa ali perto, ao anoitecer. Quando decidiram abrir um centro de explicações na garagem da moradia ao lado da minha não me incomodei nada, porque eles estavam lá dentro e ninguém os ouvia. Mas os donos deixaram aquilo e alugaram. Hoje o centro de explicações é um espaço de ATL, com o seu pico de utilização nesta altura do ano. Conclusão: Gritos e apitos desde as 8h da manhã... Eu que adoro tomar o pequeno-almoço lá fora até tenho evitado, porque ouvir putos a gritar desenfreados às 8h da manhã não é propriamente uma boa forma de melhorar o meu humor matinal... Enfim sempre ouvi dizer que cada um tem o que merece... E nem vos vou falar de como é complicado entrar na minha garagem entre as 18h e as 19h...

 

4 Coisas: Eu sei que estou sempre a dizer isto, mas ver noticias neste país (se calhar nos outros também) é exasperante. A forma como se exploram os assuntos neste momento chega quase a ser nojento (peço desculpa mas é mesmo assim que vejo as coisas). 

Ora então tivemos uma onda de calor, e imaginem só... as chamadas para o INEM tiveram muito tempo de espera... Constatar o óbvio não é noticia senhores jornalistas. O jornal i até faz capa de uma suposta investigação acerca do "caos no INEM".

Pessoas, quando estamos com um alerta vermelho e temos uma situação extrema é normal que aumentem as chamadas para o INEM (especialmente porque continua a haver muita gente que não sabe o que fazer à vida por isso liga para lá porque lhe doí um dedo). E por mais que fosse perfeito o reforço de meios nestas alturas, todos sabemos que isso não é muito viável, muito menos com um estalar de dedos. Ver os jornalista explorar este assunto sem abordar a verdadeira questão é repugnante. Ver jornalistas a perguntar, a pessoas que têm o fogo às portas de casa, como se sentem é repugnante. Ver posts de Facebook, muitas vezes de pessoas que não estão em Portugal, a atacar tudo e todos é repugnante.

Ultimamente tenho vontade de me esconder nos livros e não sair deles, mas eu sei que há um mundo lá fora e por mais que eu tente não consigo não estar a par do que se passa nesse mundo. Mas confesso que cada vez é mais difícil escolher a fonte da minha informação.     

 

5 Coisas: O calor cedeu e já é possível respirar outra vez, e reforço, eu adoro o verão.

 

6 Coisas: Farte-me de comprar livros no OLX estes dias, acho que vou dar uma volta lá em casa e por uns quantos à venda também, só para fazer a coisa circular.  

 

Dos Pearl Jam

Normalmente quando alguém me pergunta qual é a minha comida favorita, ou a cor favorita ou a bebida favorita, fico sempre na dúvida e tenho imensa dificuldade em escolher só uma, gosto de muita coisa e há alturas que gosto mais de umas coisas e alturas em que gosto mais de outras, mas quando alguém me pergunta qual a minha banda favorita eu sei a resposta. Pearl Jam, desde dos 15 ou 16 anos que é e provavelmente sempre será a banda do meu coração.

Comprei os bilhetes para o Alive'18 em Dezembro, achei um pouco loucura, mas o burburinho de que iam esgotar era tanto que acabei por comprar. Os R's reservaram uma casa em Janeiro, combinámos tudo e preparámos-nos para um fim de semana em Lisboa, com amigos, passeio e comidinha da boa, que quem nos conhece sabe para nós, é fundamental comer bem.

A minha avó teve um avc dia 8 de Março deste ano e desde essa altura estava no hospital. Nunca mais me lembrei do concerto até que começaram a bombardear-nos com publicidade na televisão. Nessa altura percebi que havia fortes probabilidades de não conseguir ir, no inicio de Julho a minha avó piorou significativamente e sabia que a minha mãe não ia estar com cabeça para ficar dois dias com os miúdos e ir a vir do hospital com o meu avô a não aceitar o facto de a minha avó estar a morrer, infelizmente devagarinho.

No dia 11 despedimos-nos dela, no dia 13 de manhã foi o funeral e no dia 13 ao final do dia, saí em direcção a Lisboa, com os amigos de sempre que me apoiaram desde do primeiro minuto.

Porque é que fui ao concerto no dia a seguir ao funeral da minha avó, podem perguntar vocês. Porque ir ou não ir já não fazia diferença nenhuma para ela, porque ela queria sempre que eu aproveitasse os bons momentos e detestava saber que estava a atrapalhar a minha vida, porque a minha mãe não me permitiu não ir, porque o meu homem sabia como me ia sentir se não fossemos e porque toda a gente sabia que eu queria muito ver aquele concerto. Por isso tudo, eu fui.

E foi indescritível, talvez por estar um pouco anestesiada de todo o peso dos dias anteriores, talvez por os últimos meses terem sido tão difíceis, talvez por estar cansada de toda a confusão à minha volta, o concerto foi para mim quase como uma terapia. 

Ficámos longe e vimos o Eddie Vedder de longe, mas na verdade não tinha feito diferença se tivesse visto de perto, porque mais de metade do concerto estive de olhos fechados, como se a voz dele e as melodias fossem um qualquer mantra recuperador.

Adorei cada instante, sei que para muitos o facto dos ecrãs estarem a emitir a preto e branco não foi bom, porque estávamos longe e convinha ver tudo um pouco mais real, mas eu adorei todo aquele espectáculo, o jogo de luzes, os ângulos e detalhes de filmagem, as sombras, os pormenores, adorei tudo e sim eu tenho uma queda grande pelo B&W por isso sou suspeita, mas para mim foi tudo bonito, classy, não estava à espera. 

No final só tive pena de eles não terem cantado mais umas músicas, sei que eles queriam, mas a organização não deixou, afinal era um festival, não um concerto dos Pearl Jam.

O Eddie Vedder como sempre arrasou, não sei como ele é noutros países, mas em Portugal o homem vibra a tentar falar português e deixa-nos sempre com a sensação que adora isto. 

O Matt Cameron deu espectáculo como sempre na bateria, com a sua t-shirt de homenagem a Chris Cornell.

O Mike McCready está velho, mas calou toda a gente com os seus solos de guitarra incríveis.

O Jeff e o Stone, como sempre nunca desiludem. Acho que o Jeff é o único que parece que não envelhece, também acho que é o mais novo deles todos.

Adorei cada minuto, adorei a companhia, adorei o B&W e nunca pensei que me sentisse tão bem depois de tudo o que vivi nos últimos meses. Obrigado Pearl Jam, obrigado meu amor por me obrigares a ir, obrigado aos amigos que me acompanharam e àqueles que gostava que me tivessem acompanhado, muito obrigado R's por estarem lá comigo. Sou uma gaja cheia de sorte.

 

Nota: Fiquei fã de Franz Ferdinand, eles dão um concerto altamente, recomendo.

 

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Coisas #39

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1 Coisa: Os miúdos estão fartos da escola. Para o ano tenho mesmo de pensar em algo mais organizado para eles.

 

2 Coisas: A minha avó faleceu há uma semana. Após 4 longos de meses de altos e baixos, em que os dias bons eram depressa apagados pelos dias maus, de muita angustia e aperto no coração, depois de pedir muito o descanso dela porque ninguém merece sofrer assim, ela finalmente descansou. A mulher que substituiu a minha mãe sempre que esta não podia, que me ajudou a fazer os trabalhos de casa mesmo sem saber ler, que me ensinou a fazer feijoada, papas de milho e batatas da panela, que me mostrou que se pouparmos conseguimos muito daquilo que ambicionamos e que acima de tudo me ensinou a ajudar sempre o próximo, hoje já só vive no meu coração. 

 

3 Coisas: Agora que estamos em época de muitos cartazes, recados, informações e flyers, por favor pessoas, usem o corretor ortográfico. É assustador ver a quantidade de erros ortográficos e gramaticais que o pessoal deixa passar antes de imprimir uma simples folha A4 com a informação de que "O descanço do pessoal é á Terça-Feira".

 

4 Coisas: Verão, quando é que era suposto chegares mesmo?

 

5 Coisas: Hambúrguer de Curgete, experimentem é divinal.

 

6 Coisas: Os missais precisam urgentemente de ser editados. Fui ler a leitura no funeral da minha avó e o pessoal escrevia aquilo tudo sem virgulas. Se não tivesse editado o texto mentalmente antes de ler tinha desmaiado com falta de ar. 

 

Sunshine Blogger Award

 

 
 
Fui nomeada pela Gorduchita, muito obrigada pela lembrança ;)
 
As regras são:
 
* Agradecer à Blogger que te nomeou;
 
* Responder às 11 perguntas que te foram dadas;
 
* Nomear 11 bloggers e fazer-lhes 11 perguntas (no fim do post);
 
* Colocar as regras e incluir o logótipo do prémio no post.
 
As minhas respostas:
 
1. O que farias se tivesses a certeza que não serias apanhado/a?
Fazia várias coisas, como por exemplo, entrar num museu à noite, fazer "o amor" num sitio diferente, tipo elevador ou assim, ou trazia um daqueles robes dos hotéis para casa, um daqueles bem fofinhos. 
 
2. Gostas do que fazes a nível profissional?
Já gostei mais, mas também já fiz mais, estamos numa fase complicada na empresa... Mas acima de tudo, já gostei mais da minha profissão, gostava muito de fazer outra coisa, mas tenho muita dificuldade em definir o quê.
 
3. O que mudarias no teu/tua parceiro/parceira?
A teimosia, aquela necessidade que ele tem de estar sempre certo (infelizmente na maioria das vezes está) e teimar até conseguir provar isso, às vezes dá-me cabo dos nervos.
 
4. O que mudarias em ti?
Assim já, já, a minha falta de paciência. Em termos mais alargados a minha capacidade de "remoer as coisas", passo demasiado tempo a reviver situações que me deixaram triste ou desiludida e isso consome-me. 
 
5. Que ações tomas, no dia a dia, para reduzir o teu impacto ecológico?
Reciclo, Reutilizo e tento Reduzir (às vezes não me deixam). Tenho a felicidade de trabalhar ao pé de casa e da escola dos miúdos por isso ando maioritariamente a pé. Consumo muitos produtos da horta e no geral compro fruta da época (excepto bananas). Cada vez mais compro na praça e não nas grandes superfícies. 
 
6. Serias capaz de te tornar vegan?
NÃO! Honestamente não acredito muito nas novas tendências da alimentação, não gosto de extremismos. Sou omnívora, faço refeições vegetarianas e gosto (até temos um dia vegetariano lá em casa) mas acho o conceito Vegan um pouco desajustado, não julgo mas também não gosto que me tentem vender que é o segredo de uma vida saudável e da "paz no mundo". 
 
7. Como são as tuas férias de sonho?
Roadtrip por um dos muitos países do mundo, assim no topo da lista tenho o Canada, USA e Argentina. Um dos meus top 10 que gostava também muito de visitar, mas aqui já não seria tanto em modo roadtrip e mais em modo aventura é a Costa Rica. 
 
8. Ficas moreno/a com facilidade ou és daqueles/as que não há sol que te pegue?
Já fiquei mais morena, mas também já andei menos protegida. Mas sim fico morena com bastante facilidade.
 
9. Livro que ainda não leste mas que gostarias de ler?
Os Miseráveis de Víctor Hugo.
 
10. Alguma vez experimentaste drogas ilegais?
Drogas leves sim.
 
11. Se tivesses de mudar de país e tivesses escolha, para onde irias?
Bom na verdade acho que não iria... Como é que hei-de explicar... Adorava viver noutro país,mas acho que gosto demasiado do nosso cantinho para ir viver para outro país.
Se a pergunta fosse que países é que gostavas de viver por um tempo, assim por um ano, mas depois voltar (e para isto tinha de estar muito bem na vida), consigo enumerar alguns:
Canada, Itália, India, Japão, Estados Unidos da América, uma das muitas ilhas do Pacífico e Brasil.  
 
As minhas perguntas:
1. Fazes desporto porque gostas, porque tens de fazer ou não fazes de todo?
2. Costumas sonhar acordado/a (tipo imaginar que vives noutro país ou noutra casa...)?
3. O local onde vives responde às tuas necessidades (tem aquilo que precisas no dia a dia)?
4. Quando foste pela última vez ao cinema? E já agora qual foi o filme que foste ver?
5. O fim de semana é bom para...?
6. Tens um café (ou estabelecimento comercial) onde te sentes em casa?
7. Gostas de ler na praia?
8. Ainda te lembras do que lias em miúdo/a? Qual era a colecção que lias?
9. Gostas mais de trabalhar em grupo ou sozinho/a?
10. Ainda lês o jornal ou nunca foi um hábito?
11. Achas que és feliz ou ainda andas a tentar perceber?
 
As minhas nomeações:

Chic'Ana

Cláudia Oliveira

Nay

Gorduchita (sim eu sei que já respondente a vários, sorry!)

Daniela Barbosa

Just_Smile

Drama Queen

 

Eu sei que não são onze, mas não tenho mais :P

Coisas #38

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1 coisa: Cada vez gosto menos de segundas-feiras... mas tenho de melhor o meu humor de manhã nestes inícios de semana...

 

2 Coisas: Convenhamos, já não há quem aguente este tempo de merda, este fim de semana até terra choveu... sim eu sei que veio do deserto e afins e que prova que a força da natureza é magnífica, mas depois de ter andado a lavar o patio... é um bocadinho frustrate.

 

3 Coisas: O Mini faz contas de multiplicar... sim multiplicar... não sei se ria se chore (ele está no pré-escolar e não, não estou a dizer que o puto é um génio, só fico surpreendida com este tipo de coisas, especialmente sem estímulo da nossa parte).

 

4 Coisas: Na escola do Mini à hora de almoço, quando eles se portam minimamente bem, o coordenador da equipa costuma colocar música para os entreter. Muito bom certo? Pois o problema é a playlist... Que passa pelo "Despacito" e vai até ao "Show das Poderosas"... Medo!!!! 

 

5 Coisas: No entanto apesar do referido acima, a rádio favorita dos miúdos cá de casa, é a M80, o que me deixa bastante mais descansada.

 

6 Coisas: Ultimamente sinto que preciso de férias, assim como de água para beber, tal é a minha disposição no trabalho (e agora colocava aqui o emoji do macaquinho a tapar os olhos (um dos meus favoritos) mas como neste site não há, imaginem só, pode ser?)

 

Dos Produtos Caseiros

Nota: Este post não foi escrito com o patrocínio de qualquer marca (lol)

 

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Desde miúda que gosto de cozinhar, não vos consigo dizer que algum membro da família me tenha influenciado ou até mesmo me tenha ensinado a cozinhar, não me lembro de ninguém a explicar-me como se fazia este ou aquele prato, acho que como quase tudo o que eu apreendi na infância, o gosto pela cozinha, veio da observação e da minha necessidade de ajudar.

Desde miúda que fui incentivada a colaborar nas tarefas domésticas, como todos os elementos do nosso (na altura) vasto agregado familiar, tendo alguns se tornado mais colaboradores que outros lol

Isto tudo para dizer que sempre cozinhei, sempre me desenrasquei bem na cozinha, mas nunca fui de fazer grandes pratos elaborados. 

Lembro-me da minha avó fazer marmelada, filhós, folares e pão, mas sempre achei esse tipo de receitas longas e demoradas e quando me tornei autónoma normalmente comprava esses produtos.

Desde que tenho Bimby, esse cenário mudou muito, e passei a fazer muitas das coisas que antes comprava.

Desde que tive filhos as minhas preocupações com a alimentação aumentaram significativamente, e cada vez mais me preocupa o que comemos, o que eles comem.

Ultimamente, tenho pensado muito nisso, e talvez por a escola do Mini ter introduzido a alternativa vegetariana, até introduzi em casa um dia de comida vegetariana, quase todas as semanas.

Eu sei que o mundo ruma exactamente no sentido oposto e sei que cada vez, encomendamos mais comida fora, compramos muita coisa pré-feita ou já preparada, os lanches são embalados, etc, etc, etc.

No entanto eu (mais uma vez) tenho andado a rumar no sentido contrário, obviamente não sou de todo fundamentalista, aliás é uma das coisas que me perturba bastante, a questão do fundamentalismo, mas de há algum tempo para cá tenho adaptado muito os nossos consumos, e há coisas que simples deixei de comprar.

Faço os meus iogurtes gregos (e adoro), faço a minha pizza (desde a massa ou molho de tomate), faço as bolachas do lanche da semana, faço pequenos snacks também para os lanches da semana, faço os suminhos do Micro, além de cozinhar todos os dias como é óbvio.

No domingo passado enquanto preparava mais uma vez as pizzas de domingo, o meu avô dizia-me que eu passava tanto tempo na cozinha e que tinha tanto trabalho, porque é que não comprava. Eu respondi-lhe quase sem pensar "Podia comprar sim, mas não era a mesma coisa." Na verdade faço tudo isto porque gosto de cozinhar, gosto dos resultados e gosto especialmente de comer algo bom que eu preparei.

Sempre me habituei a ter produtos da horta, os meus avós e os meus sogros têm horta e há muita coisa que não compro, consumo mais os produtos da época e não compro muito fruta estrangeira, fundamentalmente porque os miúdos não são muito apreciadores. Como é óbvio, há ocasiões e ocasiões e sempre que achar que vale a pena, encomendo uma pizza e compro iogurtes entre outras coisas, mas cada vez mais gosto deste conceito dos produtos caseiros, gosto muito de encontrar novas receitas e ainda ando há procura de encontrar algumas receitas de pão que resultem mesmo, ainda não achei aquele pão tipo tchan!

Mas em resumo, acredito cada vez mais que é importante nos preocupar-nos com o que comemos, cozinharmos as nossas refeições e ter atenção às quantidades de açúcar consumidos, é fundamental para um estilo de vida mais saudável. E essa é a mensagem que quero que os meus miúdos recebam, porque a mudança de mentalidades é a nossa a ferramenta para o futuro e eles são o nosso futuro ;)  

Coisas #36

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1 Coisa: Adoro o meu País, acho que sou uma sortuda por viver em Portugal, acho que não valorizamos o suficiente o país que temos e acho que nem sabemos bem a sorte que temos, por poder viver neste cantinho à beira-mar plantado (e sim eu sei que nem tudo é bom, mas sempre que leio notícias (mais ou menos fidedignas) percebo que estamos muito melhor do que aquilo que pensamos), mas expliquem-me por favor porque é que toda a gente ignora as marcações no chão dos parques de carrinhos de supermercado. É que não há um dia que vá um estabelecimento comercial, onde se utilize carrinho de compras que não estejam sempre quatro ou cinco no meio da passagem, e muitas vezes ao lado o espaço está vazio, mas as pessoas têm, porque têm que colocar o carrinho onde lhe der menos trabalho, ou seja no local mais perto, PORQUÊ? É assim tão difícil respeitar um bocadinho o próximo?

 

2 Coisas: Depois de ler este artigo de opinião ou crónica ou o que lhe queiram chamar, gostaria de referir que não emigrei durante a troika e não foi por medo como o cronista refere. Não emigrei porque achei que valia a pena ficar e porque não é só o dinheiro que me move... 

 

3 Coisas: E não este não é um post de valorização ao país lol

 

4 Coisas: Quero um contador de passos e descobri que há uns super geeks e super giros, e acho que não vou resistir a comprar um.

 

5 Coisas: Tenho saudades de ir ao cinema.

 

6 Coisas: Eu nem gosto de chuva, mas este fim de semana podia chover, tenho tanta coisa para arrumar em casa, que precisa de uns dias mais calmos.

 

Do Movimento #Metoo

Honestamente, muito honestamente mesmo (não fiquem chateadas comigo por dizer isto) como mulher cada vez menos me identifico com o movimento #metoo.

Entendo, defendo e respeito, mas acho que está a ser utilizado de forma totalmente errada, reconheço que continuamos a viver num mundo de homens, concordo totalmente com as denuncias feitas, e sem dúvida que é o momento de dizer basta. Mas como tão sabiamente uma das minhas melhores amigas dizia ontem, o movimento #metoo surge no intuito de acabar com o velho que se encosta a nós no autocarro, com o gajo que nos apalpa gratuitamente na discoteca ou com o ordinário que se roça em nós numa fila qualquer. Este tipo de situações sempre aconteceu e está enraizado numa geração que perpetuou este tipo de comportamento por muito tempo e eu sou totalmente a favor de sensibilização neste sentido, basta deste tipo de falta de respeito. Entendo que daí tenham surgido denúncias mais graves e com cariz mais agressivo e respeito quem passou por algo semelhante e o denunciou. O meu problema é, mais uma vez, a forma como as coisas são levadas ao extremo. 

Hoje o movimento #metoo deixou de ser um movimento cívico, de cariz educacional, no sentido de mudar a mentalidade actual no que diz respeito à forma como olhamos, tratamos e lidamos com o ser humano (neste caso, mais vocacionado para as mulheres), para se tornar numa arma de arremesso contra os homens no geral. 

Tenho a certeza absoluta, que muitos homens passaram por situações de assédio e não há qualquer tipo de referência a esse facto, é quase como se fosse proibido eles falarem, visto fazerem parte do género agressor.

Na verdade acho que se desvirtuou o objecto principal do movimento (como é costume infelizmente) o que leva a que os excessos prevaleçam sobre o bom senso, levando-me mais uma vez a remar contra a corrente e a distanciar-me um pouco.

Se acho que vivemos (ainda) num mundo de homens? Sim acho, como mais uma vez a minha amiga dizia sabiamente, para sermos um(a) gestor(a) de topo temos de abdicar da nossa vida familiar e as mulheres têm sempre mais responsabilidades nessa área que os homens, levando a que haja menos gestoras de topo que gestores de topo. Na realidade nunca ambicionei um cargo de topo, mas entendo que para atingir tal patamar a minha vida familiar seria sacrificada, também acredito cada vez que isso tem a ver com a forma como gerimos o trabalho e que no futuro, isso será um pouco diferente, hoje em dia, há muita coisa que se pode fazer através de um computador, de onde quer que seja, as empresas (e as pessoas também) é que não gostam de admitir que é possível gerir à distância. Se há falta de oportunidades para mulheres em certas áreas? Sim sem dúvida, há pouquíssimas mulheres realizadoras por exemplo, e todos sabemos que é por falta de oportunidade nesta área.

No entanto, quando olho à minha volta, julgo que a Europa está (felizmente) um bocadinho mais evoluída no que diz respeito à desigualdade de género e julgo ser por isso que o movimento teve tanto impacto nos EUA. Mas falando por mim (e eu sei que não sou exemplo para ninguém), que trabalho num universo totalmente masculino, numa equipa de 11, onde eu sou a única mulher, apenas um colega manifesta desconforto por me ver a desempenhar trabalhos mais "masculinos". Neste universo de 11 pessoas temos escolaridades e idades totalmente heterogéneas, levando-me a pensar que isto do tão falado machismo e feminismo está um pouco ultrapassado. Li algures num blog a propósito do #metoo que a autora em questão não queria que a filha crescesse num mundo onde são feitos comentários como "O teu pai vai ter de comprar uma caçadeira por causa desses teus olhos" ou "vais dar muitas dores de cabeça ao teu pai com essa carinha linda" ou algo do género. Sim este tipo de comentários é completamente desnecessário, mas também é cada vez menos frequente, o meu avô que em tempos não permitiu que a minha mãe não fosse trabalhar para uma determinada empresa porque ia trabalhar só com homens, hoje já não faz comentários de teor dos referidos acima e não vê problema nenhum em a neta trabalhar só com homens. 

É muito importante perceber que a sociedade somos nós e somos nós que criamos as diferenças que se falam neste momento, será que é alimentando um ambiente extremista que parece estar a criar um fosso entre dois mundos tão diferentes (mas que desde o inicio da vida se completam) que vamos mudar a sociedade?

Para já não tenho a resposta, mas inclino-me mais para não...

Felizmente tenho à minha volta muitos homens, que não ajudam nas tarefas domésticas, mas partilham-nas com a mulher da casa, e isso para mim é motivo de orgulho desta geração, conheço bastantes homens que depois dos 50 passaram a levantar a mesa e a estender roupa entre outras coisas, porque perceberam que aquela partilha era necessária, mais uma vez acho que é motivo de orgulho desta geração. 

Se isto se reflecte no resto do país, da Europa ou do Mundo não sei, mas também acho que não vivo numa bolha.

Sou consciente de que há países em que às mulheres nem é permitido conduzir, eu não sou naif, e leio o suficiente para saber das atrocidades que as mulheres sofrem pelo mundo (inclusive no nosso país), assim como sei que mostrar o decote ou as pernas (ou mais) é (ou era) pré-requisito para conseguir um papel em Hollywood e como é óbvio sou totalmente contra qualquer tipo de assédio sexual (dentro e fora do ambiente laboral) não consentido, mas o clima de desconforto com se começou a gerar desde que o movimento tomou proporções mundiais não transmite de todo o sucesso do objectivo inicial desta acção.

Para mim a luta, é e sempre será por um mundo melhor, e ai entra muita coisa, como a educação dos nossos filhos, a protecção do meio ambiente e a igualdade de género, como é óbvio, mas lembrem-se que a igualdade de género abrange as mulheres e os homens em todas as circunstâncias e não só naquelas que agradam mais a uns ou a outros. Não deixem que a comunicação social e as redes sociais desvirtuem as vossas (nossas) lutas e as vossas (nossas) certezas. Como uma das actrizes que não se vestiu de preto nos Golden Globes disse. 

"Nós não devemos ter que vestir preto para sermos levadas a sério."