Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Crónicas de uma Vida Pouco Privada

Espaço dedicado à vida pouco privada de uma família de quatro, mãe, pai, mini e micro, gerido pela mãe que tenta não se esquecer de ser mulher e companheira quase todos os dias...

Espaço dedicado à vida pouco privada de uma família de quatro, mãe, pai, mini e micro, gerido pela mãe que tenta não se esquecer de ser mulher e companheira quase todos os dias...

Dos Produtos Caseiros

Nota: Este post não foi escrito com o patrocínio de qualquer marca (lol)

 

FotoJet (7).jpg

 

 

Desde miúda que gosto de cozinhar, não vos consigo dizer que algum membro da família me tenha influenciado ou até mesmo me tenha ensinado a cozinhar, não me lembro de ninguém a explicar-me como se fazia este ou aquele prato, acho que como quase tudo o que eu apreendi na infância, o gosto pela cozinha, veio da observação e da minha necessidade de ajudar.

Desde miúda que fui incentivada a colaborar nas tarefas domésticas, como todos os elementos do nosso (na altura) vasto agregado familiar, tendo alguns se tornado mais colaboradores que outros lol

Isto tudo para dizer que sempre cozinhei, sempre me desenrasquei bem na cozinha, mas nunca fui de fazer grandes pratos elaborados. 

Lembro-me da minha avó fazer marmelada, filhós, folares e pão, mas sempre achei esse tipo de receitas longas e demoradas e quando me tornei autónoma normalmente comprava esses produtos.

Desde que tenho Bimby, esse cenário mudou muito, e passei a fazer muitas das coisas que antes comprava.

Desde que tive filhos as minhas preocupações com a alimentação aumentaram significativamente, e cada vez mais me preocupa o que comemos, o que eles comem.

Ultimamente, tenho pensado muito nisso, e talvez por a escola do Mini ter introduzido a alternativa vegetariana, até introduzi em casa um dia de comida vegetariana, quase todas as semanas.

Eu sei que o mundo ruma exactamente no sentido oposto e sei que cada vez, encomendamos mais comida fora, compramos muita coisa pré-feita ou já preparada, os lanches são embalados, etc, etc, etc.

No entanto eu (mais uma vez) tenho andado a rumar no sentido contrário, obviamente não sou de todo fundamentalista, aliás é uma das coisas que me perturba bastante, a questão do fundamentalismo, mas de há algum tempo para cá tenho adaptado muito os nossos consumos, e há coisas que simples deixei de comprar.

Faço os meus iogurtes gregos (e adoro), faço a minha pizza (desde a massa ou molho de tomate), faço as bolachas do lanche da semana, faço pequenos snacks também para os lanches da semana, faço os suminhos do Micro, além de cozinhar todos os dias como é óbvio.

No domingo passado enquanto preparava mais uma vez as pizzas de domingo, o meu avô dizia-me que eu passava tanto tempo na cozinha e que tinha tanto trabalho, porque é que não comprava. Eu respondi-lhe quase sem pensar "Podia comprar sim, mas não era a mesma coisa." Na verdade faço tudo isto porque gosto de cozinhar, gosto dos resultados e gosto especialmente de comer algo bom que eu preparei.

Sempre me habituei a ter produtos da horta, os meus avós e os meus sogros têm horta e há muita coisa que não compro, consumo mais os produtos da época e não compro muito fruta estrangeira, fundamentalmente porque os miúdos não são muito apreciadores. Como é óbvio, há ocasiões e ocasiões e sempre que achar que vale a pena, encomendo uma pizza e compro iogurtes entre outras coisas, mas cada vez mais gosto deste conceito dos produtos caseiros, gosto muito de encontrar novas receitas e ainda ando há procura de encontrar algumas receitas de pão que resultem mesmo, ainda não achei aquele pão tipo tchan!

Mas em resumo, acredito cada vez mais que é importante nos preocupar-nos com o que comemos, cozinharmos as nossas refeições e ter atenção às quantidades de açúcar consumidos, é fundamental para um estilo de vida mais saudável. E essa é a mensagem que quero que os meus miúdos recebam, porque a mudança de mentalidades é a nossa a ferramenta para o futuro e eles são o nosso futuro ;)  

Da Mudança de Mentalidade (Outra vez???)

Já ando para escrever este post há algum tempo, penso e repenso se devo escrever, acho que até já o comecei de depois apaguei.

Já tenho dito que ando um pouco saturada da forma como se "faz" notícia em Portugal, da forma como a comunicação social "governa" o país e da forma como todos acham de repente que está tudo mal de ontem para hoje, mas ninguém se dispõe a sugerir mudanças.

Hoje, quando encontramos um problema, temos duas soluções, ou impomos uma regra (ou lei) ou colocamos mais pessoas ao serviço do dito problema. 

Actualmente não se resolvem problemas, mascaram-se ou proíbem-se.

Uma das razões que me levou a pensar nesta situação foi o tão falado caos nas urgências dos hospitais portugueses.

Todos falaram sobre a situação, alguém postou fotografias na magnifica plataforma de linchamento publico também conhecida por Facebook (fotografias essas que tiveram o objectivo de chocar, mas que a mim só me fizeram questionar onde acaba a liberdade das pessoas que surgem na foto e começam os direitos de quem a postou, mas isso é outro assunto também muito interessante, mas para outra discussão), foram chamados ministros ao parlamento, foram abertos concursos para mais enfermeiros, veio a Bastonária e o Bastonário, vieram os sindicatos, foram disponibilizados incentivos para fixar médicos no interior, etc, etc, etc... Foi feito tudo menos o mais importante. Mudar a mentalidade de quem utiliza as urgências.

Sim eu acho que fazem falta enfermeiros no SNS, sim eu acho que faltam médicos no SNS, sim eu acho que faltam auxiliares no SNS, mas o que falta também é as pessoas entenderem que o Serviço de Urgência de um hospital serve para as urgências.

Talvez eu viva numa zona privilegiada, onde tenho um Centro de Saúde que funciona, com SAP, talvez eu tenha sorte e não fique doente muitas vezes com necessidade de me deslocar às urgências, talvez eu confie demasiado no farmacêutico, talvez... mas sempre que por ventura tenho de me deslocar às urgências verifico que uma boa percentagem de utilizadores do espaço podia ter resolvido o seu problema fora daquele local, onde além dos doentes também circulam doenças, virus, bactérias e afins.

Portugal tem uma linha de saúde que tem uma qualidade de atendimento acima da média e que nos encaminha para o local devido sem estarmos a comprometer os serviços de urgência local. 

Mais de metade  da população portuguesa(para ser optimista) nunca utilizou a Linha Saúde 24, nem sabe como funciona, não sabe que se ligarmos e tivermos realmente de ir às urgências, o hospital já está à nossa espera quando chegarmos. 

Temos de ser conscientes, temos de divulgar esta informação nas escolas, na rádio, na televisão, na missa... temos de mostrar às pessoas que é importante ser consciente na utilização de um serviço que poucos países têm a disposição como nós temos e pelo preço que nós temos.

Não, não está tudo bem no SNS, não o funcionamento do serviço não é exemplar, não o desempenho do governo não é exemplar na gestão do SNS, faltam mais SAPs (Serviços de Atendimento Permanente) nos Centros de Saúde, faltam mais enfermeiros, faltam mais médicos, faltam mais ambulâncias, mas temos de mudar de mentalidade, temos deixar de ficar à espera que o governo, que os outros resolvam. É fácil criticar e apontar o dedo sentado no sofá, mas nós, cidadãos, temos de ser conscientes, temos de deixar de olhar para o nosso umbigo e fazer algo pela sociedade e não só pelo nosso interesse. 

Hoje alguém postou um video do World Economic Forum, onde alguém dizia que temos de mudar o que ensinamos aos nossos miúdos e esta é a questão, nós temos de reaprender muita coisa, temos de reaprender a viver em sociedade e acima de tudo temos de aprender (reparem que escrevi aprender, porque acho que muita gente nunca chegou a aprender) a ser cidadão.

 

Nota: Liguem 808 24 24 24, pode ser que faça diferença.