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Crónicas de uma Vida Pouco Privada

Espaço dedicado à vida pouco privada de uma família de quatro, mãe, pai, mini e micro, gerido pela mãe que tenta não se esquecer de ser mulher e companheira quase todos os dias...

Espaço dedicado à vida pouco privada de uma família de quatro, mãe, pai, mini e micro, gerido pela mãe que tenta não se esquecer de ser mulher e companheira quase todos os dias...

Da Mudança de Mentalidade (Outra vez???)

Já ando para escrever este post há algum tempo, penso e repenso se devo escrever, acho que até já o comecei de depois apaguei.

Já tenho dito que ando um pouco saturada da forma como se "faz" notícia em Portugal, da forma como a comunicação social "governa" o país e da forma como todos acham de repente que está tudo mal de ontem para hoje, mas ninguém se dispõe a sugerir mudanças.

Hoje, quando encontramos um problema, temos duas soluções, ou impomos uma regra (ou lei) ou colocamos mais pessoas ao serviço do dito problema. 

Actualmente não se resolvem problemas, mascaram-se ou proíbem-se.

Uma das razões que me levou a pensar nesta situação foi o tão falado caos nas urgências dos hospitais portugueses.

Todos falaram sobre a situação, alguém postou fotografias na magnifica plataforma de linchamento publico também conhecida por Facebook (fotografias essas que tiveram o objectivo de chocar, mas que a mim só me fizeram questionar onde acaba a liberdade das pessoas que surgem na foto e começam os direitos de quem a postou, mas isso é outro assunto também muito interessante, mas para outra discussão), foram chamados ministros ao parlamento, foram abertos concursos para mais enfermeiros, veio a Bastonária e o Bastonário, vieram os sindicatos, foram disponibilizados incentivos para fixar médicos no interior, etc, etc, etc... Foi feito tudo menos o mais importante. Mudar a mentalidade de quem utiliza as urgências.

Sim eu acho que fazem falta enfermeiros no SNS, sim eu acho que faltam médicos no SNS, sim eu acho que faltam auxiliares no SNS, mas o que falta também é as pessoas entenderem que o Serviço de Urgência de um hospital serve para as urgências.

Talvez eu viva numa zona privilegiada, onde tenho um Centro de Saúde que funciona, com SAP, talvez eu tenha sorte e não fique doente muitas vezes com necessidade de me deslocar às urgências, talvez eu confie demasiado no farmacêutico, talvez... mas sempre que por ventura tenho de me deslocar às urgências verifico que uma boa percentagem de utilizadores do espaço podia ter resolvido o seu problema fora daquele local, onde além dos doentes também circulam doenças, virus, bactérias e afins.

Portugal tem uma linha de saúde que tem uma qualidade de atendimento acima da média e que nos encaminha para o local devido sem estarmos a comprometer os serviços de urgência local. 

Mais de metade  da população portuguesa(para ser optimista) nunca utilizou a Linha Saúde 24, nem sabe como funciona, não sabe que se ligarmos e tivermos realmente de ir às urgências, o hospital já está à nossa espera quando chegarmos. 

Temos de ser conscientes, temos de divulgar esta informação nas escolas, na rádio, na televisão, na missa... temos de mostrar às pessoas que é importante ser consciente na utilização de um serviço que poucos países têm a disposição como nós temos e pelo preço que nós temos.

Não, não está tudo bem no SNS, não o funcionamento do serviço não é exemplar, não o desempenho do governo não é exemplar na gestão do SNS, faltam mais SAPs (Serviços de Atendimento Permanente) nos Centros de Saúde, faltam mais enfermeiros, faltam mais médicos, faltam mais ambulâncias, mas temos de mudar de mentalidade, temos deixar de ficar à espera que o governo, que os outros resolvam. É fácil criticar e apontar o dedo sentado no sofá, mas nós, cidadãos, temos de ser conscientes, temos de deixar de olhar para o nosso umbigo e fazer algo pela sociedade e não só pelo nosso interesse. 

Hoje alguém postou um video do World Economic Forum, onde alguém dizia que temos de mudar o que ensinamos aos nossos miúdos e esta é a questão, nós temos de reaprender muita coisa, temos de reaprender a viver em sociedade e acima de tudo temos de aprender (reparem que escrevi aprender, porque acho que muita gente nunca chegou a aprender) a ser cidadão.

 

Nota: Liguem 808 24 24 24, pode ser que faça diferença.

Do Movimento #Metoo

Honestamente, muito honestamente mesmo (não fiquem chateadas comigo por dizer isto) como mulher cada vez menos me identifico com o movimento #metoo.

Entendo, defendo e respeito, mas acho que está a ser utilizado de forma totalmente errada, reconheço que continuamos a viver num mundo de homens, concordo totalmente com as denuncias feitas, e sem dúvida que é o momento de dizer basta. Mas como tão sabiamente uma das minhas melhores amigas dizia ontem, o movimento #metoo surge no intuito de acabar com o velho que se encosta a nós no autocarro, com o gajo que nos apalpa gratuitamente na discoteca ou com o ordinário que se roça em nós numa fila qualquer. Este tipo de situações sempre aconteceu e está enraizado numa geração que perpetuou este tipo de comportamento por muito tempo e eu sou totalmente a favor de sensibilização neste sentido, basta deste tipo de falta de respeito. Entendo que daí tenham surgido denúncias mais graves e com cariz mais agressivo e respeito quem passou por algo semelhante e o denunciou. O meu problema é, mais uma vez, a forma como as coisas são levadas ao extremo. 

Hoje o movimento #metoo deixou de ser um movimento cívico, de cariz educacional, no sentido de mudar a mentalidade actual no que diz respeito à forma como olhamos, tratamos e lidamos com o ser humano (neste caso, mais vocacionado para as mulheres), para se tornar numa arma de arremesso contra os homens no geral. 

Tenho a certeza absoluta, que muitos homens passaram por situações de assédio e não há qualquer tipo de referência a esse facto, é quase como se fosse proibido eles falarem, visto fazerem parte do género agressor.

Na verdade acho que se desvirtuou o objecto principal do movimento (como é costume infelizmente) o que leva a que os excessos prevaleçam sobre o bom senso, levando-me mais uma vez a remar contra a corrente e a distanciar-me um pouco.

Se acho que vivemos (ainda) num mundo de homens? Sim acho, como mais uma vez a minha amiga dizia sabiamente, para sermos um(a) gestor(a) de topo temos de abdicar da nossa vida familiar e as mulheres têm sempre mais responsabilidades nessa área que os homens, levando a que haja menos gestoras de topo que gestores de topo. Na realidade nunca ambicionei um cargo de topo, mas entendo que para atingir tal patamar a minha vida familiar seria sacrificada, também acredito cada vez que isso tem a ver com a forma como gerimos o trabalho e que no futuro, isso será um pouco diferente, hoje em dia, há muita coisa que se pode fazer através de um computador, de onde quer que seja, as empresas (e as pessoas também) é que não gostam de admitir que é possível gerir à distância. Se há falta de oportunidades para mulheres em certas áreas? Sim sem dúvida, há pouquíssimas mulheres realizadoras por exemplo, e todos sabemos que é por falta de oportunidade nesta área.

No entanto, quando olho à minha volta, julgo que a Europa está (felizmente) um bocadinho mais evoluída no que diz respeito à desigualdade de género e julgo ser por isso que o movimento teve tanto impacto nos EUA. Mas falando por mim (e eu sei que não sou exemplo para ninguém), que trabalho num universo totalmente masculino, numa equipa de 11, onde eu sou a única mulher, apenas um colega manifesta desconforto por me ver a desempenhar trabalhos mais "masculinos". Neste universo de 11 pessoas temos escolaridades e idades totalmente heterogéneas, levando-me a pensar que isto do tão falado machismo e feminismo está um pouco ultrapassado. Li algures num blog a propósito do #metoo que a autora em questão não queria que a filha crescesse num mundo onde são feitos comentários como "O teu pai vai ter de comprar uma caçadeira por causa desses teus olhos" ou "vais dar muitas dores de cabeça ao teu pai com essa carinha linda" ou algo do género. Sim este tipo de comentários é completamente desnecessário, mas também é cada vez menos frequente, o meu avô que em tempos não permitiu que a minha mãe não fosse trabalhar para uma determinada empresa porque ia trabalhar só com homens, hoje já não faz comentários de teor dos referidos acima e não vê problema nenhum em a neta trabalhar só com homens. 

É muito importante perceber que a sociedade somos nós e somos nós que criamos as diferenças que se falam neste momento, será que é alimentando um ambiente extremista que parece estar a criar um fosso entre dois mundos tão diferentes (mas que desde o inicio da vida se completam) que vamos mudar a sociedade?

Para já não tenho a resposta, mas inclino-me mais para não...

Felizmente tenho à minha volta muitos homens, que não ajudam nas tarefas domésticas, mas partilham-nas com a mulher da casa, e isso para mim é motivo de orgulho desta geração, conheço bastantes homens que depois dos 50 passaram a levantar a mesa e a estender roupa entre outras coisas, porque perceberam que aquela partilha era necessária, mais uma vez acho que é motivo de orgulho desta geração. 

Se isto se reflecte no resto do país, da Europa ou do Mundo não sei, mas também acho que não vivo numa bolha.

Sou consciente de que há países em que às mulheres nem é permitido conduzir, eu não sou naif, e leio o suficiente para saber das atrocidades que as mulheres sofrem pelo mundo (inclusive no nosso país), assim como sei que mostrar o decote ou as pernas (ou mais) é (ou era) pré-requisito para conseguir um papel em Hollywood e como é óbvio sou totalmente contra qualquer tipo de assédio sexual (dentro e fora do ambiente laboral) não consentido, mas o clima de desconforto com se começou a gerar desde que o movimento tomou proporções mundiais não transmite de todo o sucesso do objectivo inicial desta acção.

Para mim a luta, é e sempre será por um mundo melhor, e ai entra muita coisa, como a educação dos nossos filhos, a protecção do meio ambiente e a igualdade de género, como é óbvio, mas lembrem-se que a igualdade de género abrange as mulheres e os homens em todas as circunstâncias e não só naquelas que agradam mais a uns ou a outros. Não deixem que a comunicação social e as redes sociais desvirtuem as vossas (nossas) lutas e as vossas (nossas) certezas. Como uma das actrizes que não se vestiu de preto nos Golden Globes disse. 

"Nós não devemos ter que vestir preto para sermos levadas a sério."

 

Da Reeducação

Eu sei que parece que estou sempre a bater na mesma tecla, mas cada vez mais acho que se torna urgente olhar com alguma atenção para a falta de bom senso que assola este país e talvez o mundo.

A bomba que caiu no Facebook sobre os livros de actividades para meninos e meninas veio mais uma vez mostrar como é necessário agir nesta área.

Não, eu não concordo que o governo tenha recomendado a retirada do livro do mercado, acho descabido e roça muito a uma atitude de tempos que não deixaram saudades e honestamente acho que a censura não é a solução, apesar de às vezes me questionar acerca deste assunto. No entanto, para mim a questão mais importante aqui é, como é que alguém validou aquela publicação e não questionou a situação antes dos livros chegarem às livrarias, a sério que todas a pessoas que trabalharam nos livros acharam normal aquele tipo de diferenciação???

Não, eu não sou de todo feminista, na maioria das vezes não me identifico com a forma como as e os feministas tentam defender a causa e acho que na maioria das vezes o argumento está completamente desajustado. No entanto há mensagens feministas de muito valor como a da Pink nos VMAs Awards. E sim com este tipo de mensagem eu identifico-me, fazer-nos valer pelo que somos e mostrar aos outros que esse é o caminho. No entanto publicar livros para meninos e meninas com exercícios que apresentam graus de dificuldade diferentes para a mesma faixa etária é algo no mínimo pouco ético, apesar de eu defender que cada criança cresce ao seu ritmo, este facto não diferencia género, o que me faz questionar o que se passa com a nossa sociedade.

Quando a bomba rebentou no Facebook, eu senti-me agradecida por cada vez publicar menos por lá. Comecei a "fugir" um pouco daquele mundo, porque deixou de ser agradável a leitura do feed notícias, ou só leio desgraçadas (que não faço a mínima idea se são ou não verdadeiras) ou leio comentários raivosos de gente que usa o ecrã como escudo e debita todas as barbaridades que lhe vêm à cabeça.

Sim, eu sei que todas as redes sociais transbordam deste tipo de situações, mas há umas mais soft que outras.

Mas o que eu quero dizer com isto tudo é que, para não recorrermos à censura (como o governo acabou por fazer de uma forma ligeira) temos de reeducar as pessoas, temos de voltar a ensinar o respeito pelo próximo, os valores, a linha que determina onde acaba a nossa liberdade de expressão e começa o direito de resposta do próximo, a linha que determina onde acaba o nosso direito de resposta e começa o direito à privacidade do próximo, o bom senso e a boa educação.

Sem este valores bem clarificados, as redes sociais vão continuar a ser campos de batalha e vão sem dúvida continuar a fazer baixas, sejam elas livros, pessoas, ou infelizmente valores que nos costuram tanto a conquistar.  

Coisas #33

1 Coisa: Outra coisa que me enerva também no verão é aquelas pessoas que usam os chinelos de enfiar, tipo havaianas, dois números acima. Enerva-me, parece que andam com os chinelos do pai ou da mãe, como o meu puto mais novo!

 

2 Coisas: Há algo de mágico nas noites de verão, aquelas em que o sol se põe tarde, o calor começa a acalmar, ouvimos as rãs lá ao fundo e vamos para esplanada com pouca luz para os mosquitos não darem por nós. Eu já disse isto muitas vezes, mas eu gosto mesmo desta altura do ano.

 

3 Coisas: No últimos anos, férias de verão é algo pouco comum cá por casa, por isso adoptei o conceito, mini-férias de verão, assim a cada sexta-feira entro em modo férias e só me volto a conectar na segunda-feira seguinte, não é perfeito, mas garanto-vos que é bastante agradável.

do fs sapo.jpg

 

4 Coisas: Contínua a fazer-me muita confusão a forma como a notícia é apresentada no nosso país nos últimos tempos, não sei se fui eu que mudei, ou se foram eles que mudaram, mas cada vez mais me questiona acerca dos limites da liberdade de impressa e da privacidade de cada um.

 

5 Coisas: Uma das maravilhas desta época do ano é o pessoal que vai às compras, de chinelo e calção de praia e que quer se despachar porque precisa urgentemente de ir à praia e por isso reclama com toda a gente, porque está cheio de pressa e não está para estar em filas. Mas foi às compras... comprar uma cozinha... antes de ir para a praia... para entregar nem sei bem onde... Estranho certo???? (aconteceu-me no Ikea)

 

6 Coisas: A empresa está a meio gás, tenho boa parte do pessoal de férias e no escritório não está ninguém, gosto tanto disto assim vazio, até dá para andar descalça! 

 

Dos Limites da Liberdade de Imprensa

Ultimamente tenho muita, mas mesmo muita dificuldade em ver notícias na televisão. Já abordei o tema aqui recentemente, mas não consigo não falar sobre o assunto de novo, especialmente porque acho que neste momento há muita gente a aproveitar-se da situação.

A minha principal questão é muito simples, onde acaba a liberdade de impressa e começa a privacidade do resto do mundo.

Eu sei que nem todos os jornalistas são iguais e sei que há muito bom trabalho nesta área, mas neste momento todas as notícias que abrem os nossos telejornais são basicamente situações empolgadas pelo facto de haver uma necessidade desmesurada da comunicação social de expor e mostrar cada segundo do que se passa em todo o lado e de não perder um único frame do filme do dia-a-dia comum de qualquer país.

A necessidade desmesurada de mostrar a "notícia", de explorar e de acusar é tão grande neste momento vale tudo, para quem quer dar a notícia e para quem ser notícia. 

E isto até seria pouco grave se daí não surgissem consequências, mas surgem como é óbvio, e assim demitem-se ministros, julgam-se pessoas e mata-se gente em directo, para depois informar que afinal o ministro já não carece de demissão, o ladrão aparentemente não roubou ninguém e quem morreu felizmente não estava morto.

E sim eu, maioritariamente, não vejo notícias na televisão, mas até ouvir as notícias no rádio, neste momento me dá a volta ao estômago. 

Todos sabem tudo, mas afinal não sabem nada. Os tempos de antena que neste momento certos políticos lutam para obter são uma verdadeira palhaçada, os "especialistas" que surgem em horário nobre são uma vergonha e os "achistas" então, dão cabo de mim.

E sim, eu também sei que não preciso de sujeitar a ouvir nada disto, mas sempre senti uma necessidade grande de me sentir informada e enquadrada no que se passa à minha volta, por isso gostava muito que o conteúdo informativo evoluísse um pouco, mas tenho pouca esperança.

 

Quem gosta disto são os putos que já não têm de deixar de ver a RTP2 para ouvir o Telejornal!

 

Dos que sabem tudo e dos que mostram tudo!

Disse a mim própria que não iria falar sobre os incêndios dos últimos dias, que assombraram as nossas vidas e nos fizeram questionar, coisas tão simples como a chuva e o vento que podem destruir e salvar ao mesmo tempo.

Mas não falando da catástrofe dos últimos dias directamente (fiz a minha parte e ajudei como pude à distância) mas abordando o assunto indirectamente aqui vai:

 

Dos que sabem tudo!

Acho extraordinário, que nestas alturas tenhamos sempre trezentos mil especialistas no assunto, que se mantêm calados todo o ano, mas que sempre que há um incêndio aparecem de novo, qual Nostradamus, afirmando que o culpado foi x, que já tinham previsto Y há 20 anos atrás, que ninguém os ouve, que o governo isto, que os bombeiros aquilo, que a Protecção Civil não serve para nada, que eu é que sei porque estudo florestas há vinte anos, que eu sou especialista em evacuação mas nunca saí da minha secretária, que as papeleiras têm culpa, que o fogo é um negócio, etc, etc, etc... É fundamental lembrar-mo-nos que num incêndio lidamos com dois elementos extraordinariamente voláteis e instáveis, mãe natureza e seres humanos.

Como sempre o nosso cantinho mostra exactamente aquilo que é, uma mistura de um povo magnificamente solidário que se une para ajudar em qualquer circunstância com um grupo extenso de "achistas" com demasiado tempo de antena, muito pouco bom senso e respeito pelo próximo. 

Porque é que agora, depois de tudo ter acontecido temos tanta gente a dizer "Eu avisei!" "Eu acho que..." "Eu sei que..." "Eu disse..." "Eu..." "Eu..." "Eu..."

Sim todos temos direito à nossa opinião, sim é importante ouvir os especialistas, mas mais do que tudo é importante ajudar quem precisa, respeitar o luto de quem perdeu tanto e tentar apresentar soluções para o futuro. É que de tudo o que ouvi, são poucos os que apresentam soluções, a maioria limitam-se a apontar o dedo. É importante agir mais e pavonear-nos menos ok? Por favor!

 

Dos que mostram tudo!

Mais chocante ainda que os "achistas" é a comunicação social nestas alturas. Não tinha já sido admitido que era cruel e uma falta de respeito e sensibilidade, o tipo de reportagem que acompanha pessoas em desespero a 500 metros do fogo? Não se tinha já concluído que este tipo de exposição era quase criminosa? Onde é que começa o direito à notícia e acaba o direito à privacidade de quem vê a sua vida devastada! Podemos considerar jornalismo, abordar alguém que perdeu tudo há dez minutos atrás perguntando "Como é que se sente?" O que é isto? O que é que se passa com a nossa comunicação social? Os incêndios não são reality shows... Podemos respeitar quem viu as suas vidas arrastadas pelo fogo, quem perdeu familiares, amigos, animais de estimação, gado, bens e memórias? Por favor!

 

E por estas duas situações tem sido para mim muito difícil ver televisão nos últimos dias!

Das Novas Tecnologias Outra Vez

Hoje li algures, que o Parlamento Europeu está a apelar à não partilha de notícias sem ler. Segundo o PE, cerca de 60% das notícias são partilhadas sem ser lidas, disseminando assim o fluxo de notícias falsas de uma forma extraordinária que obviamente tem danos sérios associados.
Mais uma vez perdi-me nos meus pensamentos sobre este assunto e os seus associados. 
É assustador, repito, assustador a forma como as pessoas, usam e vivem através das redes sociais e da internet em geral.
Mais de metade do que lemos nas redes sociais não é real, desde notícias, posts individuais, fotos manipuladas, vidas imaginadas que gostamos de acreditar que são vividas, relacionamentos que não acabaram e outros que nunca chegaram a começar, comentários maldosos ou até mesmo completamente ignorantes (para não dizer pior) entre mais um sem fim de irrealidades.
Tenho perfil em várias redes sociais, uso-as maioritariamente como divertimento e recolha de informação, no entanto, cada vez mais, questiono tudo o que vejo e leio. 
E a questão principal está aqui, eu questiono, mas pelo menos 60% dos utilizadores não questiona, e vive vidas que não são suas, sofre por pessoas que não existem, discute com amigos que nunca viu, fica triste com situações que não aconteceram e fica feliz com vidas que nunca se juntaram.
Vivemos uma época estranha, mas que me assusta. 
O mundo virtual tomou conta do mundo real e há muito mais gente a preferir viver no mundo virtual que no mundo real.
Eu não me excluo-o, eu gosto do mundo virtual, escrevo e publico no mundo virtual, recebo feed back do que escrevo no mundo virtual, tenho amigos virtuais, poucos mas tenho, tenho amigos reais (daqueles que valem a pena) que mantenho mais contacto graças ao mundo virtual, sei de eventos e espectáculos que quero assistir pelo mundo virtual, vejo series e filmes pelo mundo virtual, até faço parte de um Clube do Livro virtual, que me trouxe de volta o ritmo da leitura (leio um livro real, mas também leio livros virtuais), que me dava tanto gozo e estava a ficar esquecido. 
Isto para dizer que sou totalmente a favor de tudo de bom que o mundo virtual nos pode trazer, e são tantas as coisas boas que podemos tirar desse mundo, mas assusta-me a forma como, estamos a esquecer-nos que existe um mundo real, com pessoas reais, com sentimentos reais, para além da tela do portátil, tablet ou smartphone.
Vivam uma vida real pessoas e usem o mundo virtual com bom senso e respeito!
 

mundo-virtual.jpg

 

Do "America First"

Ontem à noite quase que acordei os miúdos com as minhas gargalhadas graças ao "America First, Portugal Second" do "Cinco para a Meia Noite".

O Srº Trump enerva-me e confesso que até me assusta um pouco, mas também me faz rir muitas vezes de tão ridículo que se apresenta.

Na verdade os nossos telejornais neste momento dão-lhe cerca de 10 minutos de tempo de antena diariamente, tal é o rol de barbaridades que o homem faz por dia. 

Temo pelos Estados Unidos da América e principalmente temo pelo mundo, porque acredito que os seus actos tenham consequência para todos nós, mas confesso que o homem é sem dúvida bom produto para os comediantes e ontem no "Cinco" tivemos a apresentação do movimento "Comedyagainsttrumpism" que nos trás de toda a Europa mensagens muito inteligentes para o Srº Trump.

Esta foi a nossa e adorei, sem dúvida, está excelente.