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Crónicas de uma Vida Pouco Privada

Espaço dedicado à vida pouco privada de uma família de quatro, mãe, pai, mini e micro, gerido pela mãe que tenta não se esquecer de ser mulher e companheira quase todos os dias...

Espaço dedicado à vida pouco privada de uma família de quatro, mãe, pai, mini e micro, gerido pela mãe que tenta não se esquecer de ser mulher e companheira quase todos os dias...

Coisas #42

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1 Coisa: Ainda falta quase um mês para o Carnaval e a minha cidade já está enfeitada e eu ainda tenho de arranjar fatos de Carnaval alusivos ao circo para os dois carnavaleiros. 

2 Coisas: Eu detesto chuva, mas preocupa-me um pouco de já estarmos em Fevereiro e chuva nem vê-la.

3 Coisas: Voltar de férias e regressar ao trabalho quase no dia seguinte é quase como levar com quando a água fica de repente gelada, durante um banho quente. 

4 Coisas: Não gosto das mochilas versão mala, eu sei que estão super na moda, que toda a gente usa e acha super prático, mas a mim só me faz lembrar os tempo de escola e nem nessa altura eu usa mochila, na maioria dos anos usei malas a tiracole. (mais uma vez a cena de estar "off" desta sociedade)

5 Coisas: Li esta reportagem do Público sobre a "mulher portuguesa", e concluí que ou não sou portuguesa, ou não sou mulher, ou tenho uma sorte do caraças, ou por último, soube escolher... Faz-me um pouco confusão este tipo de generalizações e este tipo de análises estatísticas, que levam a uma imagem que na minha opinião não é real. Mas eu também estou sempre a dizer que não me sinto enquadrada nesta sociedade, por isso bate certo.

Só uma dica sobre este assunto, para viver um relação saudável em todos os aspectos, inclusive na gestão da casa, são precisas duas pessoas, diálogo e respeito.

Do fim de semana...

Vamos de férias para a semana, entrámos em modo countdown e passámos o fim de semana quase fechados em casa, e porquê? Porque passou uma virose lá por casa que deixou metade da equipa lesionada, resultado: achei melhor deixar toda a gente a recuperar bem resguardada, porque estes putos têm uma tendência fantástica para adoecer nas piores ocasiões.

Mas confesso que no domingo também não me estava a sentir muito bem, estava mole e com uma dor de cabeça gigante, provavelmente por estar menstruada. Tenho muitas saudades da minha pílula de amamentação, desde que o Micro nasceu (quase 4 anos) que tem sido o meu método contraceptivo e é sem dúvida o meu preferido, mas como não tenho período também aumento a probabilidade de formação de quistos e foi o que aconteceu. Felizmente o problema resolveu-se com o regresso a uma pílula com estrogênio e progesterona e todos os seus efeitos secundários... Enfim, não se pode ter tudo ;)

Como ficámos o domingo todo em casa arranjei estratégias para entreter miúdos e graúdos, na verdade não os queria agarrados ao ecrã, o Mini tem ma tendência gigante para passar horas a jogar ou a ver filmes ou tv... Brincaram com quase tudo o que têm em casa, desde jogar hóquei, fazer vilas de Lego Duplo, montar aviões de Lego mas de marca branca (não comprem são uma treta, as peças não encaixam bem, os planos saltam passos e no final o lego está sempre a desmontar-se... não sou muito destas coisas, mas neste caso é mil vezes melhor o original), lutas de almofadas, fazer casas de baixo das mantas e montar exposições de carros. Só não jogaram playstation e só viram um filme ao final do dia de ontem ;)

O fim de semana acabou por ser bastante produtivo, como estava fechada em casa fiz, iogurtes para a semana, scones para o lanche, um bolo e a granola para comer com o iogurte. 

Da notícia de hoje ...

Um pouco a propósito do post de ontem surge hoje esta notícia no Diário de Noticias:

Governo alarga licenças parentais

Por acaso, nem é bem o título que me interessa mais, mas sim o que li no corpo da notícia. Entre várias medidas associadas ao incentivo à natalidade, pode ler-se e passo a citar:

"Trata-se de uma mudança cultural que exige convocar toda a sociedade e assumir um compromisso coletivo com medidas de impacto a curto, médio e longo prazo. Este programa representa, por isso, um esforço conjunto do governo, de empresas públicas e privadas, e de entidades da administração pública central e local", lê no preâmbulo do programa, a que o DN teve acesso.

Uma mudança cultural, que eu ando a defender há bastante tempo e que é fundamental, para voltarmos a ser pais dos nossos filhos e não apenas alguém que lhes dá de comer, duas vezes por dia (já que normalmente almoçam na escola) e os acomoda na cama à noite, depois de lhes dar banho. 

Pessoalmente acho que o meu vencimento não é adequando nem à minha função, nem à minha formação, mas ultimamente já quase que nem falo em aumento (apesar de o aceitar se tal me for proporcionado obviamente que não sou hipócrita a esse ponto), falo de mais tempo. Preciso de mais tempo, mais tempo para ser mãe, mais tempo para ser mulher, mais tempo para ser eu...

Na noticia ainda refere algo porque luto quase desde entrei no mercado de trabalho, que já está referido na lei, mas que praticamente nenhuma empresa em Portugal permite colocar em prática, passo mais uma vez a citar. 

Neste "conjunto de medidas" inclui-se "a implementação de práticas laborais" como o "teletrabalho, horários adaptados, horas-limite para reuniões, ginástica laboral" e o "desenvolvimento de sistemas de apoios pessoais e familiares (formação, incentivos à partilha das licenças entre pais e mães, protocolos com entidades prestadoras de serviços em áreas diversas como a saúde, cuidado de pessoas em situação de dependência, desporto, cultura e lazer)".

O teletrabalho é totalmente possível na minha função durante pelo menos dois dias por semana (e estou a ser boazinha), e seria para mim uma mais valia enorme. Adequar horários é tão simples na minha empresa que até doí ter 1h30m de almoço, por depois sair do escritório depois das 18h, quando às 17h já podia estar a apanhar os miúdos, permitindo um ganho de quase duas horas nas nossas rotinas diárias. 
 
Têm todo o meu apoio, posso-me dar como voluntária neste projecto piloto e espero ver resultados em breve (eu sou paciente...) e não só notícias bonitas no jornal. 

 

Disto de Ser Mãe #10

No Domingo passado celebrou-se o Dia da Mãe.

Confesso que não liguei muito ao dia em si, não postei fotos bonitas no Instagram rodeada dos meus miúdos, nem escrevi que ser mãe é a melhor coisa do mundo no Facebook. 

Confesso que ás vezes estes dias me soam a falso e a hipocrisia.

Confesso que adoro ser mãe e que os meus miúdos são uns amores, que me ofereceram umas coisinhas feitas por eles, muito giras.

Mas decidi escrever sobre o Dia da Mãe essencialmente porque me apanhei a pensar no significado disto tudo, e como tanta coisa se foi desvirtuando com o tempo, mas há coisas que nunca mudam.

Eu sou uma sortuda porque tenho o privilégio de ter a minha mãe a tempo inteiro. (e eu sei que há muita gente que não pensa assim) 

A minha mãe é um do meus pilares e a minha vida sem a presença dela a tempo inteiro seria muito mais complicada.

Mas mais importante que tudo isso, é o facto de a minha mãe me ter ensinado a ser mãe, e não eu não sou a mesma mãe para os meus filhos que ela foi para mim, mas ela mostrou-me o caminho, mostrou-me o que era certo e o que era errado e fundamentalmente mostrou-me que mãe eu queria ser.

Apesar de no Domingo, ser mãe ser a melhor coisa do mundo, segundo uma boa parte dos utilizadores do sexo feminino do Facebook, ser mãe é uma das missões mais complexas que tive de enfrentar e que irei enfrentar até ao final da minha vida.

Sei que sou muito mais eu desde que sou mãe, e que os meus filhos são boa parte da minha razão para viver, mas também sei que são boa parte das minhas frustrações, inseguranças e medos.

Ser mãe trouxe-me perspectiva e mudou significativamente as minhas prioridades e mostrou-me que devemos valorizar as pequenas coisas. E essa foi uma das grandes lições que a minha mãe me tentou passar. Os nossos almoços de família (que muita gente acha uma seca), o poupar para irmos de férias todos juntos, os pequenos gestos de carinho e reconhecimento e principalmente a compreensão nos momentos de fragilidade (ás vezes apenas com um silêncio de reconhecimento) são tudo mensagens da minha mãe.

Há, mesmo assim, muita coisa que ela não me ensinou e há muita coisa que não faço como ela fez (e não há mal nenhum nisso).

Quando o Mini nasceu queria muito ser como a mãe do Ruca, sempre li muito sobre educação e tinha (e tenho) pavor de criar filhos mal educados, insensíveis e socialmente inconscientes, no entanto apesar de continuar sempre há procura de estratégias e ferramentas nesta área e de continuar a ler muito sobre educação, hoje quase seis anos depois, sei que não quero nada ser como a mãe do Ruca, quero mesmo é ser uma mãe real.  

Ao longo da história, a mãe foi apenas a cuidadora durante muito tempo, depois começou a trabalhar e passou a ser a super mulher, depois tornou-se tudo um fardo e a mãe passou a ser a vitima e agora, devagarinho já se começa a perceber que a mãe é simplesmente uma Mulher, real, com fragilidades e virtudes e com medos e certezas, eu não quero ser uma mãe exemplar.

Quero ser a mãe que grita, mas que todos os dias tenta não gritar e vai melhorando devagarinho; 

Quero ser a mãe que chora em segredo quando não se consegue controlar perante uma asneira;

Quero ser a mãe que se enche de orgulho com as pequenas vitórias dos filhos;

Quero ser a mãe que precisa de pelo menos um banho sozinha por semana, sem intrusos na casa de banho;

Quero ser a mãe que às vezes não resiste e dá o ovo de chocolate antes do jantar, mesmo sabendo que isso vai fazer com que o miúdo não jante nada de jeito;

Quero ser a mãe que vai jantar fora com o pai porque, o pai e a mãe precisam de tempo a dois;

Quero ser a mãe que poupa dinheiro todo ano para levar a família toda a passear;    

Quero ser a mãe que deixa queimar o jantar porque se distraio a ver qualquer coisa da televisão;

Quero ser a mãe que ri e que chora com eles, que abraça e faz cocegas e enche de beijos, mesmo quando eles fogem;

Quero ser a mãe que se preocupa com o que veste e trata de si;

Quero ser a mãe que vai com os miúdos ao cinema e ao parque;

Quero ser a mãe que vai com os amigos ao cinema, porque às vezes também é bom ver filmes que não são de animação;

Quero ser a mãe que partilha com o pai a difícil tarefa de educar crianças neste mundo de valores desajustados e vidas de fachada; 

Quero acima de tudo ser Mulher, quero ser real, com tudo o que isso trás associado,tão simples como isto, porque para ser mãe temos mais que tudo ser mulheres reais, cheias de falhas, defeitos e imperfeições, certezas, virtudes e qualidades.

 

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Coisas #28

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1 Coisa: Terceira semana a trabalhar em part-time, graças à varicela. ('Tou um bocadinho passada!)

2 Coisa: Aparentemente toda a gente quer a varicela, os R's já receberam a dose e o Micro recebeu uma dose tão grande que além do médico de família e do pediatra ainda teve de ser visto por um dermatologista, tal era o aspecto da criança.

3 Coisas: A única coisa boa destes dias de reclusão foi o facto de ter estado um tempo de merda, que me fez preferir ficar em casa enrolada nas mantas a andar por ai a lorear a pevide.

4 Coisas: Cada vez mais acho que preciso de repensar a minha situação contratual profissional. É incrível a culpa que sinto por estar a trabalhar metade do tempo a partir casa. Normalmente, a maioria dos pais que conheço estariam em casa a cuidar e eu estou preocupada com o que fica por fazer no trabalho. 

5 Coisas: Palmei duas seasons da série Revenge de enfiada!

6 Coisas: Fico sempre maravilhada com as maravilhas da tecnologia e a quantidade de funcionalidades que um smartphone pode ter. Ás vezes questiono-me se seria capaz de viver sem estes aparelhos.

7 Coisas: A única desvantagem de trabalhar a partir de casa é que como muito mais porcaria.

 

Do Dia da Mulher

Hoje de manhã li este post e fiquei feliz.

Fiquei feliz por saber que num mundo de estereótipos e onde já poucos gostam de pensar e preferem absorver o que vêm na TV ou nas redes sociais, ainda há pessoas que tal como eu, pensam e questionam-se.

E não me entendam mal, relativamente ao tema do momento, a igualdade de género, eu defendo a igualdade salarial, a igualdade de respeito, a igualdade de reconhecimento e a igualdade de oportunidades. Mas não defendo a igualdade de género, por uma razão muito simples, os homens e as mulheres não são iguais, biologicamente, fisicamente, hormonalmente, intelectualmente, sensorialmente. 

Eu não quero ser igual ao homem, porque não tenho a mesma força que ele, não lido com os problemas da mesma forma que ele, não vivo os momentos da mesma forma que ele e principalmente não sinto da mesma forma que ele, mas isso não é mau, é apenas diferente. 

Se uma mulher quiser ser CEO de uma empresa, força nisso!

Se uma mulher quiser ser Presidente da Républica, Primeira Ministra, Ministra ou Deputada, força nisso!

Se uma mulher quiser ficar em casa a cuidar dos filhos, força nisso!

Se uma mulher quiser ser administrativa, força nisso!

Se uma mulher quiser jogar futebol, força nisso!

Se uma mulher quiser conduzir um camião, força nisso!

Se uma mulher quiser ser costureira, força nisso!

Tal como o homem, a mulher pode ser o que quiser desde que consiga desempenhar a função. Só não acho que criar quotas e estabelecer critérios seja a solução para promover um mundo mais justo em termos de género.

Eu não quero igualdade de género, quero liberdade de escolha, e principalmente quero consciência e coerência. Não acho que devemos ser pedreiras só para provar ao mundo que uma mulher consegue fazer o trabalho que normalmente é o homem que faz. Mas se alguma mulher quiser seguir a profissão, acho que deve poder fazê-lo e deve receber o mesmo salário que o homem.

Quero ganhar o mesmo que o meu colega que tem exactamente a mesma função que eu, mas não quero que me abram a porta porque eu consigo abri-la sozinha.

Sei que a luta pela a igualdade de género é imensamente importante em países menos desenvolvidos, onde ser mulher ainda é quase um crime, não sou de todo alheia a estas realidades e sempre que posso apoio-as o melhor que me é permitido e defendo a causa. No entanto, acho que os nossos valores estão completamente desvirtuados e que o feminismo pode torna-se tão obtuso e negativo como o machismo. (Recentemente a Emma Watson sofreu na pele este facto).

E eu sei que ainda há um longo caminho a percorrer na "civilizada Europa" e um caminho gigante a percorrer na maioria dos países africanos e em boa parte do medio-oriente. Mas na maioria dos casos, nas zonas "mais civilizadas" do mundo, a mudança vem de nós, da educação que damos aos nossos filhos, da forma como nos impomos na sociedade e na forma como lutamos pelo que queremos. As cotas, leis e regras podem funcionar em termos de força, mas não mudam mentalidades, hábitos e formas de estar na vida. A mudança tem de vir de nós,sociedade, mas sim, de nós mulheres também.

Por isso Mulheres, sejam felizes hoje e todos os dias, sejam reais, verdadeiras e acima de tudo sejam livres.

 

 

Ps1: Não sejam vacas para as outras mulheres!

Ps2: Sintam-se completamente à vontade para discordar comigo ;)