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Crónicas de uma Vida Pouco Privada

Espaço dedicado à vida pouco privada de uma família de quatro, mãe, pai, mini e micro, gerido pela mãe que tenta não se esquecer de ser mulher e companheira quase todos os dias...

Espaço dedicado à vida pouco privada de uma família de quatro, mãe, pai, mini e micro, gerido pela mãe que tenta não se esquecer de ser mulher e companheira quase todos os dias...

De viajar...

Desde miúda que sempre gostei de viajar, comecei cedo com os meus pais a percorrer o país nos meses de verão para conhecer um bocadinho do que é nosso, não vivíamos mal, mas também não éramos ricos como se dizia na altura, no entanto os meus pais sempre valorizaram o passeio e a viagem como forma de enriquecimento cultural.

Hoje dá-se o nome de "wanderlust" ao desejo de viajar e conhecer novos destinos, novos locais, novos mundos.

Tal como os meus pais fizeram também eu tento mostrar os miúdos o mais possível do nosso cantinho e de outros cantinhos que vamos conhecendo.

Acredito que uma viagem em que vamos a um sitio que não conhecemos ensina mais aos miúdos que muitas horas numa sala de aula, conhecer uma nova realidade, uma nova língua, um novo país, uma nova cultura ensina aos miúdos algo que só fora da sala de aula eles vão aprender. Por isso apesar de achar fundamental para um casal viajar sozinho, também acho fundamental viajar com os miúdos e mostra-lhes o mundo que nos rodeia, sem filtros.

Desta viagem a Paris e à Disney, concluí várias coisas, algumas delas chamei à atenção dos miúdos às vezes pela negativa outras vezes pela positiva.

Após um dia em Paris e quatro dias no universo multicultural que é a Disney constatei o seguinte:

* Paris é muito mais multicultural que Lisboa, sem margem para dúvidas;

* Há imensas pessoas com peso acima do admissível, especialmente mulheres e miúdas... tantas miúdas com excesso de peso. É assustador;

* A reciclagem está bem menos desenvolvida lá do que em Portugal, pelo menos pelo que vi. Nas ruas não há grande disponibilidade para reciclar e não se vêm contentores de separação como em Portugal, num local como a Disney achei muito mau não ser promovida pelo menos a separação do plástico e do papel;

* Ainda dentro da questão lixo, Paris continua suja, mágica mas suja;

* As sobrancelhas grossas e desenhadas a lápis são o grito da moda neste momento, boa parte das raparigas jovens que vi, de várias nacionalidades usavam quase uma monocelha desenhada cuidadosamente a lápis dos olhos, mais uma moda que não vou aderir...

* O respeito pelo próximo é mais evidente do que antes, mas continuamos a focarmos muito no nosso umbigo. Quando o autocarro chegava ficava sempre para trás porque havia sempre umas mães desesperadas para arranjar um lugar sentado para o querido filho;

* Come-se muito mal naqueles locais, o fast food impera e o resultado de uma semana de férias foi uma cara cheia de borbulhas;

* Ouvir uma missa em Francês causou um impacto interessante no Mini;

* O metro teve sempre animação, gente a cantar ou a tocar instrumentos que entra e sai entre estações, para não ser apanhado pelos revisores. Eu sei que é ilegal, mas ouvir "La Vie en Rose" dentro do metro enquanto avistávamos pela primeira vez a Torre Eifel foi muito, muito giro;

* Os francesas estão muito mais preparados para falar inglês do que há dez anos atrás e isso foi muito bom, mas tentei falar francês e ensinei aos miúdos, o "merci" e o "bonjour" e foi muito divertido;

* Junto ao aeroporto "Charles de Gaulle" ainda vi uma lixeira a céu aberto, daquelas com frigoríficos velhos, roupa e móveis espalhados por todo o lado, fiquei um pouco surpreendida pela negativa;

* O consumismo num local como a Disney é assustador. Eu vi miúdos a jogarem para o chão peluches que rondavam os cinquenta euros. Tudo na Disney é caro, mas as pessoas compram, compram e compram;

* Ainda na Disney, toda a equipa, sem excepção, desde as bilheteiras, às recepções, aos restaurantes, às equipas de limpeza, toda a gente é extremamente simpática e atenta;

* A selfie é uma necessidade real, de tal forma que até vi pessoas a discutir porque estavam à frente do castelo da Bela Adormecida;

* Ainda na questão do telemóvel assisti a uma discussão na noite do espectáculo ao final do dia, porque duas amigas que estariam supostamente a ver o espectáculo de luzes, estavam a filmar com o telemóvel, uma em direito para o Instagram e outra só a filmar. A que estava só a filmar ficou sem espaço, pediu à outra para filmar, mas a outra não podia interromper o live para o Instagram e a que estava a filmar não viu o resto do espectáculo porque esteve a apagar fotos para ter mais espaço, para filmar o espectáculo que entretanto acabou sem ela ver. Acho que devemos repensar um pouco o que andamos a fazer...    

* Paris é e sempre será para mim uma cidade mágica e acho que consegui transmitir um pouco disso aos miúdos.

 

Da Disney...

Pela terceira vez fui à Disneyland Paris e adorei, mais uma vez.

Ás vezes acho que vivo mais aquilo que os miúdos.

Da primeira vez que fui, estava no nono ano, fui pela disciplina de Francês e dessa viagem tenho mais memórias de Paris do que da Disney propriamente dita.

Na vez seguinte fui com o homem, estava um tempo horrível. Tivemos muito muito frio e passamos demasiado tempo em filas, mas adorei cada minuto na mesma.

Desta vez tudo indicava que o tempo ia estar mau de novo, mas afinal acabou por não chover e só tivemos um dia de nevoeiro mais cerrado.

Fomos quatro dias com meia-pensão, ficámos no Hotel Santa Fé e a experiência fui muito, mas mesmo muito positiva.

O Hotel era muito simpático, cheio de alusões ao filme "Cars", com a banda sonora do filme a passar em loup. A comida era muito boa e havia muitas opções de escolha. Para os miúdos foi excelente e para nós também. Estar perto do parque, apesar de precisarmos do autocarro gratuito foi óptimo também. 

Os dias começavam no parque com um pequeno-almoço generoso, do qual sobrava uma parte para o lanche. 

De mapa na mão fomos riscando da lista o que íamos vendo e marcando aquilo que queríamos repetir. 

O parque da Walt Disney Studios cheio de stormtroopers foi uma óptima surpresa.

Conseguimos ver tudo o que estava aberto nos dois parques, e repetimos algumas coisas porque eram boas de mais e tínhamos tempo.

Nunca choveu, as filas não eram enormes como me lembrava e os miúdos aguentaram-se ao andamento. São dias cansativos, mas que valem tanto a pena.

Toda a magia que envolve aquele local, a música, as personagens Disney por todo o lado, as paradas, os espectáculos... tudo vale a pena e digam o que disserem a magia da Disney é boa em qualquer altura da nossa vida.

Pequenas notas:

As montanhas russas são todas a partir de 1,20m ou 1,40m e isso limita o acesso aos mais pequenos;

Há algumas atracções que apresentam uma altura limite de 1,02m e o Micro ficou bem zangado por não ter atingido essa altura;

A comida a preços decentes resume-se a fast food;

O espectáculo do final do dia, ao fecho do parque é magnífico. 

Disney S.jpg

"Growing old is mandatory, but growing up is optional." - Walt Disney

De Paris...

Pela terceira vez na minha vida fui a Paris e à Disney, e mais uma vez adorei.

Confesso que não me agrada nada ouvir falar francês, é um língua que não me atrai, que acho pouco interessante na verdade, mas cada vez percebo mais e nos dias bons já consigo articular qualquer coisa. Não sendo propriamente fã da língua francesa, é um pouco incoerente que goste tanto de França... Sempre que vou a Paris relembro-me de como adoro aquela cidade, a imponência da construção Napoleónica e Haussmanniana, extremamente bem organizada e com edifícios cúbicos em avenidas largas, bairros estruturados e cheios de vida. 

Dos vestígios da "belle epóque" aos testemunhos dos anos loucos de Monmatre, à "Vie en Rose", tudo me faz viajar de certa forma para uma espécie de filme que só consigo ver lá.

Adoro as boulangeries, o marché aux poissons e as fromagerie. Perco-me facilmente a passear por lá só por passear.

É uma cidade cara, mas merece tanto, mas tanto uma visita. 

Desta vez fui com o homem, os miúdos e a minha mãe, tinha-lhe prometido que quando fosse à Disney com os miúdos a levava e assim foi. Para ela e para os miúdos era a primeira vez em Paris, por isso quis mostrar o principal no único dia que íamos lá passar.

Fizemos um tour mais ou menos pequeno que começou em Montmartre, com a visita ao Sacré-Cour onde ainda apanhámos uma parte da missa, o que foi bastante interessante. Depois descemos a pé, pela Place du Teatre e pelas ruazinhas cheias de pequenas lojas, peixarias, queijarias, padarias e restaurantes pitorescos até ao metro junto ao Moulin Rouge, com destino à Torre Eiffel. Subimos ao último andar da torre, apesar dos miúdos não estarem muito confiantes numa subida tão alta. Como o dia estava limpo, consegui mostrar à minha mãe toda a vista da cidade, e os miúdos acabaram por perceber que afinal não iam cair de lá de cima.

No Troncadero, apanhámos o Batobus, que é uma espécie de autocarro turístico, com paragem nos monumentos principais, mas em versão barco, possibilitando assim o tradicional cruzeiro no Sena. 

Desta forma visitámos ainda a magnífica catedral de Notre Dame, que não me canso de dizer que é linda e os Jardins do Louvre e Champs Élysées. 

Ao final do dia regressamos ao nosso apartamento. Reservei o apartamento no AirB&B como já fiz outras vez e mais uma vez a minha experiência foi excelente, o apartamento era muito bom, muito confortável e muito bem localizado, com padaria, supermercado e estação de RER à porta. Apesar de ser mais longe do centro de Paris, foi sem dúvida uma excelente escolha.

"We'll always have Paris"